Região tem 3 mil famílias de favelados
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segunda-feira, 02 de junho de 1997
Sid Sauer, de Campo Mourão 
Sid SauerE se a casa cair?Vergílio Firmino, a mulher dele, Joraci, e os dois filhos no barraco; esperança de casa novaOs 25 municípios da região de Campo Mourão têm, juntos, 2.883 famílias vivendo em favelas. Com uma média de quatro pessoas por família, a projeção indica cerca de 12 mil favelados entre os 356 mil habitantes da microrregião. O levantamento sobre o número de pessoas que moram em favelas foi feito pelo Escritório Regional da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) em conjunto com as prefeituras. A pesquisa foi realizada em abril e visa a erradicação do problema através de um projeto de desfavelamento.
Uma das surpresas no levantamento feito pela Cohapar foi a liderança de Goioerê no ranking das favelas. No município, que tem 31.532 habitantes, foram cadastradas 598 famílias faveladas. A disputa é acirrada com Campo Mourão, que ficou em segundo lugar, com 522 famílias morando em favelas.
A população mourãoense, no entanto, é mais de duas vezes superior a Goioerê. Em Campo Mourão, a Cohapar identificou cinco favelas. A maior delas, a São Francisco de Assis, tem 320 famílias.
Proporcionalmente, o maior número de favelados está em Nova Cantu: 9.657 moradores e 246 famílias morando em barracos. Dos 25 municípios da região, apenas dois - Terra Boa (14.507 habitantes) e Boa Esperança (7.013) - não aparecem no levantamento da Cohapar. Não houve caracterização de favela, explica o gerente regional da companhia, Norton Horn. Para outras seis cidades, uma boa notícia. Devem ser assinados hoje convênios para construção de conjuntos visando o desfavelamento.
No total, são 263 casas em conjunto em Barbosa Ferraz (48), Campina da Lagoa (49), Campo Mourão (60), Corumbataí do Sul (28), Juranda (56) e Quinta do Sol (22). São casas de 31 metros quadrados que terão prestação a partir de R$ 20,00, dependendo da renda familiar. Quando não se trata de desfavelamento, as mesmas casas custam pelo menos R$ 34,50 por mês. Para construção, cada família vai receber R$ 3,9 mil em cinco parcelas, com a previsão de que os conjuntos estejam concluídos em cinco meses.
SobrasComo é o próprio mutuário que administra a obra, as casas podem ficar prontas até em 30 dias, ressalta Horn. Além disso, há casos em que sobra dinheiro, o que permite ao mutuário ampliar a unidade ou melhorar a qualidade da obra. A Cohapar também aproveita o levantamento para fazer um trabalho de promoção social entre os mutuários, que vai desde a providência de documentos básicos que algumas pessoas não tem, até a realização de cursos profissionalizantes.
Em Campo Mourão, a primeira etapa do desfavelamento vai erradicar 60 barracos de duas favelas com mais de 120 famílias. Um dos beneficiados é o catador de papel Vergílio Firmino de Souza, 33, que mora há 12 anos na Favela do Aeroporto. Vai melhorar nossa vida, conta. Ele ganha cerca de um salário mínimo por mês e vive num barraco de duas peças com a mulher e dois filhos. O barraco não tem banheiro e está caindo. Há poucos dias, teve que ser escorado.
Tenho medo do nosso rancho cair, confessa a mulher de Souza, Joraci. Ela considera baixa a prestação de R$ 20,00 que terá que pagar (no primeiro ano são apenas R$ 14,00). Dá para pagar sem pesar muito, diz eufórica. João Maria Ribeiro, 21, também comemora a futura casa. Ele mora há apenas dois meses na favela e já foi contemplado com uma casa. Levei sorte, frisa. O barraco de Ribeiro tem apenas uma peça, misturando cozinha e quarto. Ele mora com a mulher e um filho.


