Na região Sul do País, o uso de drogas injetáveis está causando o maior crescimento no número de casos de Aids do Brasil. O coordenador do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, Pedro Chequer, deve divulgar hoje as estratégias para bloquear a epidemia. As principais medidas devem ser a troca de seringas novas por usadas e uma campanha de prevenção ao uso de drogas. ‘‘Temos que tirar a máscara da hipocrisia para combater a Aids e vamos fazer isso distribuindo seringas para os viciados’’, argumenta Chequer.
O índice de crescimento dos casos de Aids no Sul é quase três vezes maior do que no Sudeste, o que pode colocar a região em primeiro lugar no número de casos registrados no País em proporção ao número de habitantes, dentro de um curto período. Enquanto na região Sul há 1,33 novos casos para cada 100 mil habitantes por ano, no Sudeste a proporção é de apenas 0,55 para cada 100 mil. Na região Centro-Oeste, que está em segundo lugar no crescimento da Aids, o índice é de 0,68 para cada 100 mil habitantes.
Entre os Estados do Sul, a situação do Paraná é a menos preocupante. O Estado em que a doença mais se alastra a cada ano é Santa Catarina (2,25 por 100 mil habitantes). O Rio Grande do Sul está em segundo lugar em crescimento (1,21/100.000) e o Paraná em terceiro (0,95/100.000). Em Santa Catarina 36,5% dos casos foram contraídos através do uso de drogas injetáveis, responsáveis por 21% das transmissões no Paraná e por 16,5% das contaminações no Rio Grande do Sul.
Dos 120,4 mil casos de Aids registrados no País, 52% levaram à morte. A proporção tende a ser a mesma no Sul, onde já foram registrados quase 15 mil casos. O Rio Grande do Sul tem o maior número de casos, chegando a 6,6 mil notificações, Santa Catarina aparece em segundo com 4,3 mil casos e o Paraná já teve 4,1 mil registros. Outro índice que preocupa o Ministério da Saúde é o de transmissão de mãe para filho, em que a média nacional é de 3% e no Sul chega a 7%.
Pedro Chequer diz que a peculiaridade de transmissão via drogas injetáveis torna o controle da epidemia ainda mais difícil. É que desta forma aumenta o contágio entre heterossexuais, o que está aumentando o número de casos entre mulheres e crianças. Desta forma, não há como restringir a prevenção a determinados segmentos da população, pois todos passam a fazer parte do grupo de risco.
A distribuição de seringas descartáveis já está sendo feita em vários Estados, com bons resultados, segundo Chequer. A distribuição acontece em Minas Gerais, São Paulo e em algumas cidades dos Estados do Sul como Itajaí (SC) e Porto Alegre (RS).
A campanha não deve se fixar, no entanto, no combate ao uso de drogas injetáveis. ‘‘Até o consumo de álcool coloca o indivíduo numa situação de risco, à medida em que ele perde a noção da importância do uso do preservativo’’, analisa.
No encontro que está acontecendo em Curitiba, as equipes do programa DST-Aids dos três Estados do Sul estão apresentando dados sobre a evolução da doença e os projetos já desenvolvidos em relação a crianças, mulheres, homossexuais, usuários de drogas e também no ambiente de trabalho. Dois pontos destacados ontem pela coordenadora de DST-Aids do Paraná Maria Célia Borges da Fonseca foram o trabalho de prevenção desenvolvido pela Telepar e também a expansão na ação do Grupo Dignidade no interior do Paraná.Índice de crescimento dos casos da síndrome no Sul já é quase três vezes maior do que na região Sudeste do País

Albari RosaDe frentePedro Chequer: ‘‘Temos que tirar a máscara da hipocrisia e vamos distribuir seringas para os viciados’’Transmissão de mãe
para filho é de 3% na
média nacional, mas
chega a 7% no Sul

mockup