Curitiba - Dentre os produtos falsificados e contrabandeados que circulam no Paraná, o cigarro é o maior deles e 100% têm origem paraguaia. Só em 2006 foram apreendidos 6 milhões de maços ou 12.616 caixas, um prejuízo de R$ 90 milhões para os cofres públicos, que deixaram de ser arrecadados em ICMS. O levantamento foi apresentado, ontem, em Curitiba, pela Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).
  A entidade mapeou os municípios onde mais ocorrerram apreensões da carga ilegal: Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Região Metropolitana de Curitiba. Em Maringá, inclusive, foi feita a maior apreensão, há um mês, quando a polícia encontrou 3.273 maços de cigarro. Neste ano, foram executadas 124 operações, envolvendo as polícias Civil, Federal e Rodoviária Federal. Deste total, 45 ocorreram no comércio varejista (Operação Varejo), 37 nas distribuidoras (Operação Distribuidoras) e 23 nas estradas (Operação Abafo).
  ‘‘Prendemos 2,2 mil comerciantes, dos quais 50 foram detidos em flagrante no varejo e indiciados em inquéritos policiais’’, disse o diretor da ABCF, Rodolpho Ramazzini. As operações ocorreram em 42 municípios paranaenses. ‘‘O prejuízo também é para o consumidor, que está colocando na boca um cigarro com concentração de nicotina e alcatrão três vezes superior a permitida pela Anvisa’’, alerta. Segundo ele, a falta da advertência do Ministério da Saúde, inscrições em espanhol e o preço baixo são alguns dos indicativos de cigarro falsificado.
  Em 2005, a quantidade de carga apreendida foi maior, 150 milhões de maços, mas isso porque boa parte ainda foi encontrada em Foz do Iguaçu, antes da fiscalização ser intensificada na fronteira. ‘‘Com o aumento do policiamento nas fronteira, o contrabando migrou para outras rotas. As duas principais entradas são Guaíra e Mundo Novo (MS), e maioria das rotas passa pela região Norte, onde estamos apreendendo o maior volume de cargas’’, explica Ramazzini.
  Ainda de acordo com ele, o Paraná é o terceiro estado com maior participação no consumo de produtos contrabandeados e falsificados. ‘‘Aqui é a principal porta de entrada desses produtos no Brasil. Em qualquer lugar, quem revende o cigarro são os ambulantes, ao contrário daqui, onde é comercializado pelos bares, mercearias e até por donos de supermercados. Acredito que isso aconteça pela proximidade com a fronteira e a facilidade que isso gera’’, conclui Ramazzini.

SERVIÇO
Denúncias podem ser feitas pelo fone (11) 3106.5149 ou [email protected]

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