Região de Londrina concentra 50% das vítimas da falta de UTI
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segunda-feira, 04 de agosto de 2003
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
A crise da falta de leitos nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) veio novamente à tona em julho, quando 22 pessoas, que estavam na fila de espera da Central de Leitos de Londrina, vieram a óbito. Mas o problema é antigo. Desde o início do ano, nos 98 municípios que formam a macroregião de Londrina, 95 pessoas morreram à espera de atendimento na UTI. O número representa mais de 50% do total de vítimas fatais ocorrido no mesmo período em todo o estado 168.
A última vítima foi Sebastião Parreira, 82 anos, que morreu anteontem, no Hospital de Porecatu (85 Km ao norte de Londrina), com um derrame cerebral. Ele esperou dois dias por um leito de UTI. A macroregião de Londrina é formada pelos municípios do Vale do Ivaí, Norte e Norte Pioneiro.
Os números repassados pela 17 Regional de Saúde mostram que das 95 vítimas fatais, 28 eram de Londrina. Trinta e seis eram de outros 19 municípios pertencentes à 17 Regional e 31 de cidades que formam a macroregião. O chefe da Regional, Gilberto Martin, ressaltou que grande parte das vítimas tinha mais de 70 anos e ficou menos de duas horas na fila da Central de Leitos. Ontem, não havia pacientes na fila.
Na tentativa de encontrar soluções, o promotor de Defesa da Saúde Pública de Londrina, Paulo Tavares, começou ontem uma série de reuniões com gestores públicos e diretores dos hospitais. ''Falamos sobre o credenciamentos dos 20 novos leitos de UTI'', afirmou o secretário municipal de Saúde, Silvio Fernandes. Ele se reuniu com o promotor pela manhã.
À tarde, na reunião com Martin, o promotor foi informado da necessidade de otimizar a utilização dos leitos de UTI, através da identificação das 83 unidades destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), existentes no município. Conforme a proposta, esses leitos só poderão ser usados por usuários do SUS. A ocupação por convênios particulares só seria permitida em caso de risco de morte.
Martin comentou que isso será necessário, pois números repassados pela Secretaria Municipal de Saúde demonstraram que a taxa de ocupação dos leitos das UTIs da Santa Casa e do Evangélico, na média geral do ano, atinge 60% de pacientes do SUS. Com essa porcentagem, os hospitais atendem menos de 300 pacientes, por mês, levando-se em consideração o tempo médio de cinco dias de ocupação do leito. ''Se a taxa de ocupação fosse de 80% do SUS, poderiam ser atendidos pelo menos 480 pacientes ao mês'', frisou.
O promotor não irá se pronunciar antes de concluir o diagnóstico. Para hoje, está prevista sua visita aos hospitais.
O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Sa© úde de Londrina, Antônio Carlos Ribeiro, disse que muitos planos de saúde apresentam limitações, por isso alguns procedimentos de alta complexidade precisam ser feitos pelo SUS.(Colaborou Emerson Dias)


