Regiane aspirou feijão e tem sequelas
Por mais que as mães ouçam falar em acidentes domésticos, elas jamais esperam que isso possa ocorrer dentro de suas casas. Ou no quintal, como aconteceu com Maria Nilce dos Santos Batista, 32 anos. Mãe de cinco crianças - com 10, 8, 6, 4 e 2 anos de idade, ela enfrentou o maior susto no início da noite de sexta-feira passada, quando a filha mais nova, Daiane, se queimou com a água quente, que estava sendo preparada para o banho da família.
Maria Nilce mora com o marido e os filhos no assentamento do Jardim Campo Verde, perto do Conjunto Habitacional Avelino Vieira, zona oeste de Londrina. Como no local ainda não tem energia elétrica, esquentar água para o banho é rotina. Na tarde de sexta-feira, como acontece praticamente todos os dias, ela acendeu o fogareiro no quintal, colocou duas vasilhas com água e foi para dentro de casa lavar louça.
As crianças sempre ficam esquentando o fogo no quintal. Nunca tinha acontecido nada, comenta Maria. Ainda sem saber detalhes sobre como a água caiu sobre Daiane, - ela saiu de casa com uma ambulância e até ontem permanecia no Hospital Universitário com a filha -, Maria Nilce relata apenas que ouviu os gritos da menina.
Quando chegou no quintal, os filhos mais velhos já haviam tirado a roupa da criança. O susto foi grande. Eu sempre tomei cuidado com as crianças, não pensei que isso pudesse acontecer. Nunca mais vou acender fogo perto delas.
Outra criança internada no Hospital Universitário vítima de acidente doméstico é Regiane Aparecida Buche, 3 anos. Ela aspirou um grão de feijão no terreiro do sítio em que mora com a família, em Cafeara (103 quilômetros ao Norte de Londrina), no final da tarde do último dia 5. No momento do acidente, ela estava ao lado da mãe Marinês Ferreira, 19 anos.
Não vi o que ela tinha nas mãos. Ela choramingou, começou a ficar roxa e desmaiou, relata Marinês. Imediatamente a criança foi levada para o hospital de Lupianópolis, onde sofreu uma parada cardíaca. No percurso para Londrina, sofreu outra parada cardíaca perto de Rolândia, onde foi entubada. O problema só foi detectado em Londrina, tarde demais para entrar na lista de mais um acidente doméstico sem grandes consequências.
Regiane sofreu danos cerebrais irreversíveis, devido ao tempo que ficou sem respirar. A curto tempo não há perspectivas da criança voltar a falar ou andar. Só mesmo com um tratamento muito rigoroso a gente pode ter alguma esperança, diz a mãe, completando: Nunca descuidei dela. Não podia imaginar que uma coisa tão pequena pudesse causar um problema tão grande.





