Uma semana. Foi o tempo que durou a alegria dos alunos do Colégio Aplicação, de Londrina, com o funcionamento dos aparelhos de ar-condicionado fornecidos pelo governo do Paraná. A direção diz que depois de uma pane na central, seguida por uma queda brusca de energia, foi orientada pela Secretaria de Estado da Educação (Seed) a manter os 11 equipamentos desligados até que a empresa vencedora da licitação pudesse ir ao local para realizar uma nova vistoria. Desde então já são quase 20 dias se virando novamente com os velhos ventiladores.
"Agora temos que aguardar. Precisamos do esforço da empresa que os colocou para avaliar o que aconteceu. Estamos seguindo a orientação que nos foi passada", disse o diretor auxiliar do colégio, Claudinei Ferreira do Nascimento. Detalhe é que antes da instalação dos equipamentos foi feita a readaptação elétrica necessária para deixar o prédio em condições de receber os aparelhos.
Os alunos cobram uma solução rápida para o caso. "É complicado. Na minha sala mesmo tem dois ventiladores (de teto), mas só um funciona. O calor está insuportável. A gente tem que arrancar folha do caderno para abanar porque é difícil ficar na sala. E os professores não deixam a gente sair da sala a todo momento. Seria bom se resolvesse logo", pediu Victor Hugo Silva Amorim, de 13 anos, aluno do 7º ano do Ensino Fundamental.
O Colégio Aplicação foi um dos primeiros a receber os aparelhos em Londrina, após uma longa espera que já chegava a três anos. Além dele, somente o Heber Soares Vargas já tinha os equipamentos em funcionamento. Outros três colégios, em Cafeara, Guaraci e Rolândia, também já deram adeus aos ventiladores.
De acordo com o relatório do Núcleo Regional de Educação (NRE), nove unidades contam com os aparelhos instalados e aguardam readaptação da rede elétrica para colocá-los em funcionamento; três estão com a instalação em andamento; oito com problemas na licitação; seis aguardam recursos de empresas que participaram do processo licitatório e cinco ainda esperam projeto de ampliação da rede elétrica. No total, 36 colégios estaduais de Londrina e outros nove municípios da região foram contemplados com 607 aparelhos de ar-condicionado. A área de abrangência do NRE de Londrina conta com 144 colégios em 19 municípios.
A chefe do Núcleo Regional de Educação, Lucia Cortez, diz que o principal problema é a falta de adaptação da rede elétrica dos prédios, que são antigos. "O engenheiro elétrico teve que ir colégio por colégio, sala por sala, vendo forro, fiação, medindo tudo, para fazer o projeto. E nós só temos um engenheiro elétrico aqui no Núcleo. Os prédios são muito antigos e tiveram que passar por readaptação, depende também de uma avaliação da Copel", apontou. De acordo com ela, já foram gastos quase R$ 2 milhões para realizar as adequações necessárias nos prédios.
Dos 74 colégios estaduais de Londrina, 22 foram contemplados. Lucia Cortez explica que foram escolhidos os prédios onde as empresas teriam menos dificuldade para fazer as instalações. "É um projeto que não dá para resolver tudo de uma vez. Ainda não dá para dizer quando as outras serão atendidas, mas é um caminho. Há 25 anos, tínhamos algumas escolas com quadra coberta, hoje é uma necessidade. Com o ar-condicionado estamos caminhando para isso também".
No Colégio Estadual Margarida de Barros Lisboa, na zona sul, a espera já dura dois anos. É o tempo em que os oito aparelhos aguardam para ser instalados. Segundo a diretora Vânia Cristina de Souza, a adaptação predial já foi realizada, mas um recurso de uma das empresas que participou da licitação ainda trava o início do uso. "O calor tende a aumentar e isso interfere no comportamento do aluno, no aprendizado. A própria comunidade, os pais dos alunos, questionam por que ainda não foi instalado. Estamos todos na expectativa", afirmou.
Enquanto o dia de ver os equipamentos em funcionamento não chega, os 460 alunos fazem o que dá para driblar os dias mais quentes. "Nós incentivamos a trazer garrafinhas de água e a maioria aderiu", contou a diretora.
No Colégio Vicente Rijo, no centro, a situação é parecida. "Passamos calor dentro da sala e isso é muito ruim. Com o ventilador ligado é a mesma coisa que se estivesse desligado. O ar-condicionado que o governo comprou ainda está nas caixas, mas a fiação ainda não foi refeita. Falaram que se ligarem o ar-condicionado com essa fiação é perigoso dar curto-circuito", contou a aluna Luany Mikaele de Andrade, 13 anos, da 7ª série. O colégio está na lista dos que aguardam ampliação da rede elétrica.
O plano, de acordo com o NRE é de que todos os aparelhos comprados estejam em funcionamento até o final deste ano. "Essas que já estão em andamento, acredito que sim (até o final do ano)", apontou Lucia Cortez. Procurada, a Secretaria de Estado da Educação não se pronunciou até o fechamento da edição.

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