A ventilação e a iluminação adequadas são preocupações básicas de engenheiros e arquitetos na elaboração de projetos. Mas quando a reforma é feita pelos próprios moradores, de forma improvisada, ''detalhes'' que garantem conforto e salubridade aos imóveis são deixados de lado.
Dependendo, a reforma pode significar uma perda de espaço interno de circulação. E além dos problemas de conforto, a saúde dos ocupantes passa a ser colocada em risco. As enfermidades de pulmão passam a ser mais comuns. A tendência de proliferação de viroses também aumenta.
''Em espaços pequenos, onde há muita gente, crescem as condições para transmissão de vírus, inclusive através da saliva. O ambiente muito apertado pode também influenciar as condições psicológicas dos moradores e a reação, normalmente, é violenta'', comenta o arquiteto Gilson Bergoc.
No entanto, ele reconhece que a maior parte dos moradores fica satisfeita com o imóvel, em especial depois de viver debaixo de lona. ''A hora que a pessoa vai para a casa de alvenaria, num primeiro momento, ela se acha no paraíso. Com o passar do tempo ela se acostuma e acha que precisa melhorar'', acrescenta.
De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Junker de Assis Grassioto, o número excessivo de moradores resulta ainda em outras dificuldades. O dimensionamento da tubulação para ligações e, quando existe, o esgoto, pode ser insuficiente. ''A verdade é que essas casas garantem ao menos um mínimo de higiene'', ressalta.
A superlotação, segundo Grassioto, é consequência de processos de migração. Mas a boa notícia, na avaliação do presidente, é que essas situações são temporárias. ''Grande parte dos moradores luta para achar uma solução'', diz. E assim eles conquistam um novo lugar para morar ou promovem melhorias nas condições das próprias casas, os famosos ''puxadinhos.'' (F.R.F.)

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