Londrina – O imóvel é uma casa como outra qualquer. O que torna a habitação especial é justamente quem vive ali - mulheres que correm risco de morte. Em endereço sigiloso, a Casa Abrigo, lar que recebe vítimas de violência doméstica, terá a capacidade de atendimento dobrada após uma reforma estrutural. A expectativa é que o espaço, que hoje pode abrigar até dez mulheres e seus filhos de até 18 anos, tenha vagas para 20 famílias ao final das obras.
Em todo o Brasil, conforme levantamento do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea) divulgado recentemente, até 2013, apenas 1% dos municípios brasileiros contava com locais especializados para atender mulheres vítimas de violência doméstica, incluindo abrigos, juizados e promotorias especializadas.
Segundo a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres de Londrina, as melhorias no imóvel vão custar R$ 85 mil.
Mantida pela administração municipal desde 2005, a Casa Abrigo está recebendo piso tátil, telhado e pintura novos, além de consertos nas instalações hidráulicas e elétricas. A previsão é que as obras terminem em maio. "Conseguimos ainda um terreno ao lado da casa que será usado para uma horta para as mulheres e seus filhos. Será uma atividade a mais para eles", comenta a responsável pela secretária Sônia Medeiros.
Enquanto as obras estão em curso, as mulheres assistidas estão abrigadas em outro imóvel, alugado emergencialmente. Apesar disso, a metodologia de atendimento não mudou. Para chegar à Casa Abrigo, a vítima precisa ser encaminhada pelo Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CAM). "Analisamos a situação de vulnerabilidade que a mulher se encontra, a possibilidade de perda da vida, e a mandamos para o abrigo. Em alguns casos, é preciso até que ela saia da cidade, ficando em casa abrigo de outro município para não ser encontrada pelo agressor", assinala a secretária.
Uma vez no imóvel, as usuárias passam por atendimento psicológico, de saúde e assistência social. Uma equipe interdisciplinar Prefeitura passa a cuidar de demandas da mulher e dependentes, como exames que precisam fazer, transferência de creche ou escola e busca por moradia junto à Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld). "Tem mulheres que ficam conosco um dia, 15 dias. O comum são três meses, podendo prorrogar por mais três", pontua a gerente da Casa Abrigo, Sueli Galhardi, ao salientar que mais do que ampliação de espaço, a reforma significará uma "ampliação de direitos".
Hoje, a Casa Abrigo recebe mulheres de todas as idades e classes sociais, mas as vítimas com menos recursos financeiros ainda são maioria. "A violência é um fenômeno que atinge todas, mas se a mulher vive em uma área de risco urbano, com tráfico e outros problemas, acaba tendo risco maior de sofrer com isso", salienta.
De acordo com dados da 16ª Vara Maria da Penha, há 1.415 ações penais em andamento em Londrina envolvendo violência contra mulheres. O número de inquéritos abertos chega a 1.464. Cerca de 2 mil mulheres ainda vivem sob medidas protetivas no município.

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