A rodoviária de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), inaugurada em 1959, começa a ser completamente remodelada em 45 dias. O projeto elaborado pela Secretaria Municipal de Planejamento, com verbas garantidas pelo Paraná Urbano, opta por cercar o prédio com 140 metros de tela de proteção.
Aparentemente com o objetivo de evitar atropelamentos e dar mais segurança ao local, a medida deve conter a aproximação de mendigos que atualmente usam as marquises da rodoviária para pernoitar e pedir esmolas. A maioria é formada pelos chamados ‘‘transendigo’’, os sem-teto que são ‘‘despejados’’ por municípios vizinhos.
‘‘A rodoviária é o cartão de visitas de qualquer cidade. O projeto tem preocupação estética, mas também com a segurança do usuário. O mendigo é livre, pode ficar onde quiser’’, diz o secretário de Planejamento, Dorival Campaner, sem negar que a presença dos sem-teto será dificultada com a tela, com as amplas vidraças que ocuparão boa parte da fachada do prédio e com a nova iluminação externa, bem mais potente que a atual.
Uma entidade beneficente, que mantém um pequeno complexo de assistência social na área central da cidade, está arrecadando recursos para construir um albergue noturno. A prefeitura doou o barracão pré-moldado e as obras devem terminar até o início do inverno. ‘‘Com as duas coisas, os mendigos devem desaparecer da rodoviária’’, acredita Campaner.
A justificativa para a cerca é a construção de uma mini-rotatória (que, asfaltada, acabará com os problemas da pavimentação do terreno, hoje revestido com paralelepípedo) defronte às plataformas, à margem da Avenida Presidente Vargas (via de entrada da cidade para quem vem de Londrina).
A mini-rotatória permitirá a entrada e a saída dos ônibus por um único lado do terminal. Pelas normas funcionais vigentes, os ônibus, conforme o sentido da viagem, se alternam nos dois lances de plataformas, que ocupam duas faces do prédio. ‘‘A cerca impede o trânsito de pedestres e diminui os riscos de acidente’’, afirma.
O ‘‘miolo’’ do prédio será demolido, permanecendo apenas as quatro paredes externas. Serão trocadas as instalações elétricas, hidráulicas e de esgoto. Os quatro pontos comerciais darão lugar a uma ampla lanchonete e a um grande corredor central. Os sanitários, que hoje funcionam separados do prédio principal, ficarão próximos à área dos guichês. A Viação Garcia também deve transferir seu depósito do local e uma nova sala destinada ao armazenamento de volumes de encomendas será erguida.
Ainda dentro do terreno de 10 mil metros quadrados, os ônibus metropolitanos usarão uma via paralela, onde futuramente poderá funcionar também um terminal urbano. Os táxis ficarão estacionados sob o novo teto metálico, cuja cobertura se estenderá por quatro metros, protegendo os usuários da chuva e do sol. Os visitantes poderão contar também com estacionamento próprio e os motoristas dos ônibus com guarita de controle.
Assim como as rotatórias recém-construídas na área central, a rodoviária terá projeto paisagístico elaborado pela Chácara Rolândia, dos irmãos Unbehaun, viveiro que é referência estadual na produção de mudas de árvores ornamentais. A previsão é que a obra fique pronta oito meses depois de licitada e sejam gastos cerca de R$ 400 mil.

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