Reforma preocupa educadores e alunos
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de dezembro de 1997
Alexandre Sanches Londrina 
Dorico Silva
Josoé de Carvalho
ConsensoCibélia Cecílio, aluna do 3º ano de magistério, Kátia Regina Santos, formanda, e a diretora auxiliar do Colégio Ricardo Lunardelli, Zole Spirandeli Gomes (foto superior); professoras Samira Fayez Kfouru Silva e Maria Luiza Macedo Abbud, pedagogas do departamento de Educação da UEL (foto inferior)
Educadores e alunos do 2º grau da rede estadual de ensino estão preocupados com o futuro dos cursos profissionalizantes, principalmente o curso de magistério. Um projeto da Secretaria de Estado da Educação obrigou as escolas a optar pelo ciclo básico (três anos do científico) ou pelos cursos profissionalizantes - que misturam aulas técnicas e do ciclo básico. A maioria das escolas optou pelo ciclo básico.
No ano que vem, pelo segundo ano consecutivo, as escolas que antes ofereciam cursos de contabilidade, magistério, promoção de vendas e outras não realizarão mais matrículas para estes cursos. A chefe do Núcleo Regional de Ensino em Londrina, Maria Genoveva Belucci, afirma que a proposta do Estado não trará prejuízos para os estudantes. A secretaria está com um comitê de currículo, fazendo um trabalho em cima da continuidade do magistério. A idéia é fazer um plano de ação regional, explicou.
A elaboração da proposta curricular pela secretaria estadual está prevista até junho, com provável implantação do novo magistério em agosto, dentro da reforma embasada na Lei de Diretrizes Básicas (LDB) para o 2º grau. Pela lei, todo aluno cursaria educação geral por três anos. Hoje não se concebe mais um curso direcionado. Ele tem que ser preparado numa visão mais ampla para o mercado de trabalho, tendo flexibilidade maior. Após os três anos de educação geral, o aluno optaria pelo pós-médio (profissionalizante), que pode levar mais um ano e meio de estudos, ressaltou.
Além disso, o projeto prevê que as escolas escolham os cursos profissionalizantes que melhor se adaptem à realidade sócio-econômica do município. Mas a proposta não agrada a educadores como as pedagogas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria Luiza Macedo Abbud e Samira Fayez Kfouri Silva. Elas integram um grupo de estudo do projeto e a implantação na região de Londrina.
O Paraná se precipitou à LDB, destruturando o ensino profissionalizante, considera Samira. O Estado cancelou as matrículas para os cursos técnicos, loteando as regiões em setores primário, secundário e terciário, visando centros de formação.
Londrina seria centro de formação de magistério, reunindo alunos de municípios num raio de 80 quilômetros. A UEL centralizaria este serviço. A proposta é inviável porque não considera as dificuldades de acomodação, infra-estrutura e de acesso dos alunos, ressaltou Maria Luiza.
As pedagogas encontram neste projeto uma resposta para questões de financiamentos internacionais realizados pelo Estado. Maria Luiza garante que a proposta está dentro dos acordos econômicos firmados com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Mas a preocupação das educadoras é em relação ao futuro do magistério, que atualmente forma professoras com disciplinas específicas para trabalhar com crianças em idade de alfabetização até a 4ª série do 1º grau. A nova lei recomenda a formação em curso superior para o ensino fundamental, o que não é novidade. Mas aceita a formação em nível médio. Não podemos deixar que o Estado trate o magistério como qualquer outro curso técnico, desabafa Samira.
Ela acredita que os cursos de formação de professores precisam ser olhados com atenção, havendo necessidade de reformulação no ensino médio. No entanto, argumenta que o Estado não mantém uma identidade, que é histórica na eduação. O Programa de Expansão e Melhoria da Qualidade de Ensino (Proem) tem muitas promessas e nunhuma foi cumprida até agora. A proposta é inovadora, mas já extinguiram os cursos profissionalizantes e não dotaram as escolas de equipamentos e nem realizam cursos de capacitação de professores.


