Reforma ortográfica será implantada até 2012
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de novembro de 2008
Paula Costa Bonini<br>Especial para a FOLHA 
Já não é mais novidade que a língua portuguesa vai sofrer alterações ortográficas - o assunto vem sendo discutido há algum tempo. Porém, muitos ainda têm duvidas sobre o prazo para se adequar às novas regras e o que vai mudar.
Na opinião da professora de português do Colégio Universitário, Sandra Arcuri, a existência de duas ortografias da língua (a falada em Portugal e a do Brasil) é prejudicial, à medida que não aproxima as fronteiras. A reforma que está para acontecer tem justamente o objetivo de aproximar o português brasileiro de sua raiz lusitana, e segundo Sandra tem cunhos político e econômico. ''Sou a favor das mudanças, pois não vejo esses acordos como imposições culturais injustificáveis. Portugal pode servir de ponte entre o Brasil e o mercado europeu'', justifica.
A professora, para explicar as divergências do idioma, se remete à história. ''A primeira grande reforma ortográfica aconteceu em Portugal em 1911, não sendo aplicada no Brasil.'' Segundo ela, daí em diante as discrepâncias começaram a ser mais significativas. Porém, as tentativas de unificação nunca cessaram. ''Já foram realizados quatro acordos ortográficos entre o Brasil e Portugal'', conta.
E dessa vez não é diferente. As alterações previstas, que envolvem a utilização do trema, hífen e acentos, visam, mais uma vez, unificar a forma de escrever nos oito países cujo português é a língua oficial. Sandra explica que esse acordo foi assinado em 1990 em Lisboa, sendo aprovado no Brasil em 1995. ''Ele passou por diversos trâmites até 2006, quando três países ratificaram'', observa a professora, ressaltando que em 2008 foi a vez de Portugal validar as novas normas, que passam a vigorar no Brasil a partir de janeiro de 2009. Porém, o Ministério da Educação (MEC) tem até 2012 para adequar os livros didáticos.
Para Julio César Tanga, professor de língua portuguesa do Colégio Maxi e da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a reforma é pouco significativa. ''O acordo, apesar de melhorar alguns aspectos da língua, poderia ser mais expressivo'', afirma. Segundo ele, perderam a oportunidade de alterar o hífen de substantivos compostos, por exemplo.
Porém, na opinião de Tanga, as mudanças facilitarão a vida do professor da língua materna, visto que alguns sinais desnecessários serão retirados. Questionado se as alterações podem prejudicar o rendimento dos estudantes, ele é categórico: ''As mudanças são ínfimas e não vão afetar o ensino''. Além disso, o professor chama a atenção: ''Os concursos e vestibulares não têm o direito de exigir a nova regra até 2012''.
O professor conta que os estudantes do curso de Letras da UEL - futuros professores de língua portuguesa - já estão sendo familiarizados com as regras impostas pelo acordo ortográfico. ''Eles desenvolvem trabalhos e discutem o assunto'', observa.


