Reforma ortográfica no cotidiano
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terça-feira, 06 de janeiro de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Preparem-se porque as dúvidas chegaram: aprovado há quase 20 anos, mas assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva apenas em setembro do ano passado, o acordo ortográfico, que traz mudanças na grafia de algumas palavras da língua portuguesa, começou a vigorar na virada do ano. Já não precisamos mais usar trema nem acentos diferenciais, de acordo com as novas regras, que trazem tantas outras exceções.
Em Londrina, poucos são os que já se preocupam com as mudanças gramaticais no cotidiano. Num supermercado da Região Central, os cartazes com as promoções do dia ainda são escritos a partir das regras antigas, mas segundo a auxiliar de escritório Ana Caroline Yuri Taketomi, responsável pela confecção dos materiais, ''se existem novas regras, vamos ter que mudar''. Para garantir que o texto escrito esteja gramaticalmente correto, a funcionária faz questão de usar o corretor ortográfico do computador. ''Textos promocionais não requerem tanta mudança assim'', opinou.
Milton Pavan, dono de um restaurante no Centro, ainda não se inteirou do acordo ortográfico mas, como irá reformular o cardápio do estabelecimento como um todo, pretende adotar as novas regras. ''Acredito que o acordo simplificou, em geral, a acentuação, mas acho que não precisarei fazer nenhuma modificação tão radical no cardápio'', disse.
Dono de uma gráfica, Nivaldo Benvenho já incorporou as mudanças ortográficas nos novos materiais produzidos pela empresa londrinense. Para ele, a adaptação às novas regras ''transcorrerá naturalmente''. ''Sou a favor da reforma ortográfica, criada para unificar os mercados, e acho que o acordo irá beneficiar ainda mais o Brasil, que já é um país com domínio tecnológico e de serviços maior que os demais países de língua portuguesa'', comentou.
Benvenho acredita que até o final do ano todo o material produzido pela gráfica, entre livros, manuais, informativos e catálogos, será elaborado a partir das novas correções gramaticais. ''Algumas empresas já mandam o texto corrigido e outras nós aconselhamos a mudança, mas é o cliente que decide.''
Alessandra Zanini é formada em Letras e trabalha no departamento financeiro de outra gráfica de Londrina. Segundo ela, todo o material recebido na empresa é produzido por uma agência de publicidade, mas vez ou outra ela sugere uma alteração no português. ''Nem sempre a agência concorda'', confessou a funcionária, que é a favor da reforma ortográfica.
''Para mim, quem vai sentir mais as mudanças é quem lida com a língua portuguesa todo dia como estudantes e até vestibulandos. Em geral, o brasileiro aceita as novas regras pois nem sabe se o que escreve está certo ou errado'', avaliou Alessandra, que até já comprou um livro que discute o acordo ortográfico para reaprender a escrever.
Flávia Carolina Brandão Dornelles é revisora numa agência de publicidade londrinense e ainda está se adaptando às mudanças gramaticais do novo acordo. ''Já temos guias para consulta e todos os materiais novos estão sendo produzidos a partir das regras do acordo ortográfico. Já as campanhas pequenas requerem mudanças ágeis'', declarou Flávia, que também é formada em Letras.
Segundo ela, as mudanças só não serão aplicadas se o cliente não quiser. ''Ainda assim, a empresa opta por explicar a regra para o cliente e em muitos casos conseguimos convencê-los a mudar'', assinalou a revisora. Para ela, o acordo deve ser fruto de um interesse maior que somente padronizar a comunicação entre os países de língua portuguesa.
''Mas se resolveram criar a necessidade de um único vocabulário e se os países vão se entender melhor, temos que apoiar'', completou Flávia, afirmando ainda ter dificuldade em abandonar os acentos diferenciais. ''Vão fazer falta.''


