Número de leitos no PS do HU caiu de 38 para 26

As reformas no pronto-socorro do Hospital Universitário (HU) são apontadas como o principal motivo do desequilíbrio registrado nos atendimentos de urgência e amergência encaminhados pelo Siate nos três hospitais de alta complexidade (também chamados terciários) de Londrina. No mês de setembro, segundo relatório obtido pela Folha, enquanto a Santa Casa atendeu 155 pacientes, o HU fez 56 atendimentos. Já o Hospital Evangélico (HE), que também entra nesta modalidade, contabilizou 141 atendimentos.
Segundo informações da assessoria de imprensa do HU, com o início das reformas, em janeiro deste ano, o número de leitos disponíveis no pronto-socorro (PS) caiu de 38 para 26. O prazo para a conclusão das obras era janeiro de 2008, mas elas estão atrasadas e não há previsão de quando serão finalizadas.
Outra agravante é que, com a trasferência dos leitos do PS para o antigo ambulatório do hospital, o atendimento, desde julho deste ano, tornou-se referenciado, ou seja, não atende pacientes que procuram a instituição por conta própria. O hospital não tem o levantamento de quanto caiu o número de atendimentos pelo Siate desde o início da reforma, mas informa que no mês de janeiro foram feitos 4,6 mil atendimentos no PS, incluindo os pacientes encaminhados pelo Samu - que são maioria-, enquanto em novembro foram atendidos 3 mil pacientes.
Na opinião de um médico ouvido pela reportagem, que atende no HE e Santa Casa, um dos grandes problemas do HU é o fato dos médicos contratados receberem por plantão, e não pelo número de atendimentos, como acontece nos outros hospitais. ''Este é um sistema falido, onde o profissional não tem estímulo para trabalhar. Por isso o hospital está sempre lotado.'' O médico, que pediu para não ser identificado, também argumenta que o HU é o hospital que apresenta maior tempo de permanência dos pacientes, ''de duas a três vezes mais que os outros''.
Segundo ele, por se tratar de um hospital-escola, a cobrança em cima do profissional é menor no HU. ''Há os residentes, que ajudam a tocar o serviço'', argumentou. Como resultado, de acordo com o médico, o volume de trabalho no HE e na Santa Casa é muito maior. ''Nós aqui fora é que acabamos absorvendo toda a demanda.''
O diretor do Evangélico, Luiz Soares Koury, informou através da assessoria de imprensa, que o hospital não tem conhecimento do relatório dos atendimentos encaminhados pelo Siate nos hospitais porque a instituição não recebe estas informações regularmente, embora isto já tenha sido solicitado - por escrito - à Secretaria Municipal de Saúde.
Já o superintendente da Santa Casa, Fahd Hadad, confirmou que nos últimos anos o hospital é o que absorve o maior número de atendimentos no PS, até porque é o único hoje na cidade que atende procura direta. ''A previsão é que o HU fique em reforma uns dois anos e meio. Não sei se vamos aguentar. Sempre seguramos esse rojão e desde 1995 estamos pleiteando o PS referenciado, a exemplo do HU e Evangélico, deixando a procura direta para os hospitais secundários. Mas não há previsão de quando teremos autorização para isso'', informou o médico. Hadad defende uma melhor distribuição dos pacientes para amenizar o peso sobre alguns hospitais.
O diretor de Serviços Especiais em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Antonio Cesar Marson, ressaltou que em se tratando de atendimentos de trauma há alguns fatores determinantes, como por exemplo a localização dos hospitais. ''Além da reforma no PS do HU, que diminuiu a sua capacidade de atendimento, o Evangélico e Santa Casa estão melhor localizados, facilitando o transporte em casos de urgência'', argumentou.

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