Reforma no Cidi pega funcionários de surpresa
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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Vanessa Navarro<BR>Reportagem Local 
Funcionários e pacientes do Centro Integrado de Doenças Infecciosas (Cidi), no Centro de Londrina, surpreenderam-se ao encontrar o local em reformas nessa quarta-feira de Cinzas. Com parte do pavimento superior destelhado, a chuva atingiu móveis e inviabilizou o trabalho em várias salas.
A FOLHA constatou o fato a partir da movimentação de operários da obra, ontem pela manhã. No pátio que fica ao lado do prédio, já foram depositadas várias pilhas de tijolos e outros materiais. Questionada pela reportagem, a gerente do Cidi, Sueli Galhardi, disse que também foi pega de surpresa e que não havia sido informada de que os trabalhos começariam de imediato.
''A reforma já era anunciada, mas o combinado é que seria feita por etapas, aos poucos, para não prejudicar o atendimento'', atestou. Conforme a reportagem verificou, pelo menos quatro salas ficaram molhadas, além do corredor principal. Mesas, cadeiras, camas de exame e armários foram atingidos. Tábuas do forro ficaram penduradas, oferecendo risco de incidentes.
''Não temos lugar para colocar toda essa mobília lá embaixo (no térreo), as salas estão todas ocupadas. Também não dá para expulsar de uma hora para outra os funcionários'', ponderou a gerente. Até ontem, apesar dos transtornos, psicólogos ainda trabalhavam no primeiro andar.
A privacidade, quesito importante no atendimento de pessoas com HIV e outras doenças infecto-contagiosas, também foi afetada. As janelas das salas de consulta alocadas no térreo estão de frente para a área onde operários estão trabalhando, sob intenso barulho.
No final do mês passado, a FOLHA mostrou que os serviços do Centro de Referência ao Adolescente de Londrina (Cral) estavam sendo transferidos do prédio do Cidi devido à reforma anunciada pelo Estado, via 17 Regional de Saúde (RS). A medida desagradou médicos e pacientes, que temem a perda do trabalho e confiança desenvolvidos junto aos adolescentes durante anos. Além de atendimentos já agendados do Cral, o local recebe hoje pacientes com Aids e Tuberculose, serviço mantido pelo Município.
O prédio, contudo, pertence ao Estado. A diretora do órgão, Wânia Gutierrez, foi procurada pela reportagem ontem, mas estava viajando. Ela declarou recentemente que a reforma era necessária devido ao tombamento do imóvel como patrimônio histórico e a um ''reordenamento da atenção básica à Saúde''.
A diretora de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Simone Narciso, iria ao local ontem para verificar o problema. A assessoria de imprensa da prefeitura informou, entretanto, que o Município não tem autonomia para falar sobre o caso.


