A administração da Escola Oficina, localizada no Conjunto João Paz (Zona Norte de Londrina) passou oficialmente para os Irmãos Maristas ontem, com a assinatura de um termo de cooperação técnico-financeira entre a Associação Brasileira de Educação e Cultura (Abec), mantenedora do Marista, e o Município, que assumiu a entidade em setembro. O clima no gabinete do prefeito Nedson Micheleti (PT), onde ocorreu a cerimônia era de louvor em torno do acordo. Vereadores, secretários e o próprio prefeito elogiaram a proposta sócio-educativa dos Maristas, que passarão a oferecer conteúdos como ética e cidadania para alunos na faixa de 14 a 17 anos, já matriculados no ensino regular.
O presidente da Federação das Associações de Moradores e demais Entidades Civis de Londrina (Famecol), Osvaldir Gomes de Oliveira, que não participou do encontro afirma que a prioridade dos jovens da Zona Norte era outra. ''Não fomos consultados. Tínhamos um projeto para a Escola Oficina, de transformá-la em uma escola profissionalizante porque não há nenhuma na nossa região. Mas para a nossa surpresa, a prefeitura firmou esse convênio com os Irmãos Maristas'', declara.
Oliveira destaca que os Cinco Conjuntos são uma região de classe média baixa, onde os jovens, além de estudar, precisam se preparar para ter um emprego. ''O desemprego é latente e os jovens daqui não têm condições de se locomover até o centro para frequentar um curso profissionalizante'', reclama. Outro ponto do projeto delineado pelos Maristas preocupa o presidente da Famecol. Ao invés de atender apenas menores infratores, como funcionava antes, o trabalho será estendido a todos os jovens carentes. ''É delicado misturar jovens que já se envolveram em crimes e os demais. É um público que demanda atenção especial'', ressalta.
O prefeito sustenta outra opinião. ''Temos que promover a inclusão desses jovens, e não isolá-los da sociedade. Nesse sentido, o projeto dos Maristas é muito válido'', acredita. Quanto à questão do ensino profissionalizante, o presidente da Abec, Dario Bortolini, admite que ainda não há nada previsto. ''Vamos definir isso posteriormente. A princípio, nosso trabalho será calcado em atividades sócio-educativas, a exemplo do projeto que desenvolvemos em Maringá'', esclarece.
De acordo com o diretor do Colégio Marista em Londrina, irmão Rogério Mateucci, serão investidos cerca de R$ 200 mil na reforma e adequação do prédio da Escola Oficina, que passará a se chamar Centro Social Marista (Cesomar). A previsão é que as obras sejam concluídas até fevereiro. A Escola Oficina estava sob administração do Município desde setembro, quando a antiga mantenedora, a Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon), foi afastada por denúncias de irregularidades.

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