Curitiba - O uso de técnicas modernas visou dar maior agilidade à reconstrução da ponte e, com isso, evitar que o restante da estrutura ruísse, explicou o engenheiro responsável pela obra, Raul Ozório de Almeida. ''A preocupação foi fazer estrutura nova, soldada, que respeitasse o aspecto geométrico, mas que garantisse total segurança. Não nos preocupamos em fazer um falso histórico'', acrescentou.
Almeida lembrou que a ponte sobre o Rio São João sofreu seis intervenções desde que foi inaugurada e que, há muito tempo não preserva as características originais de sua construção. A primeira intervenção teria ocorrido em 1911, quando a viga de 70 metros teria sido reforçada por causa do aumento no peso dos vagões. A segunda intervenção teria ocorrido em 1946, quando foi construído o arco. ''Nessa época a ponte foi completamente modificada. Ela já não preservava os traços históricos de 1885'', ponderou o engenheiro. Outras obras de reforço se deram nas décadas de 60, 80 e 90.
A reportagem da Folha esteve na ponte sobre o Rio São João para acompanhar a finalização dos trabalhos. De perto, é possível perceber qual é a parte antiga e qual é a que foi reconstruída, principalmente, por causa da ausência das saliências redondas dos rebites na parte nova. No entanto, ao passar pelo local de trem, as diferenças são imperceptíveis.
A partir de um olhar amador, o que mais agride o aspecto estético da ponte é o reforço feito com uma estrutura metálica (espécie de by-pass) em uma das torres de sustentação do arco. Essa modificação também só é visível para quem pode se aproximar e olhar por baixo da ponte.
O engenheiro concorda que a recuperação da torre trouxe desvantagem no aspecto estético. ''Mas não do ponto de vista turístico'', acrescentou. Segundo ele, outras duas opções técnicas foram avaliadas, mas a que se mostrou viável e eficaz sob o aspecto da segurança foi a do by-pass. Almeida garante que a ponte tem, agora, vida útil por mais 100 anos, sem a necessidade de grandes intervenções.(A.L.)

mockup