Felizes da vida, os 490 alunos da Escola Municipal Leônidas Sobrinho Porto, no Jardim Leonor (Zona Oeste), comemoraram, em março do ano passado, o início das obras de reforma do colégio. Construída em madeira, a escola ganharia 22 salas por período, salas de recursos e de contraturno, além de quadra coberta, sendo toda a infra-estrutura em alvenaria. Passado um ano, a alegria foi substituída pelo cansaço da espera, já que os trabalhos estão parados desde novembro.
A situação é tão crítica na escola do Jardim Leonor, que há um ano as aulas de contraturno e a sala de recursos dividem espaço com a secretaria, onde também funciona a coordenação pedagógica. Enquanto a diretora atende pais que buscam informação, as professoras tentam chamar a atenção dos alunos em meio ao barulho. Um único cômodo se transforma em três dividido apenas por armários.
Os computadores da sala de recursos estão encaixotados e a lousa usada no contraturno é minúscula. Já as aulas de reforço acontecem no pátio onde também funciona a cantina e em alguns dias, as quatro mesas são ocupadas por professoras diferentes, como afirmou a diretora Enelice Luz.
''Trabalhamos com alunos com déficit de aprendizagem e tudo o que eles precisam é de atenção, concentração e aqui é impossível. Eles têm dificuldade em estudar, mas sem as aulas é pior'', desabafou a psicopedagoga Renata Caobianco, que atende individualmente cerca de 18 alunos por período na sala de recursos da Leônidas Sobrinho Porto.
''Fomos bem acolhidos, mas as escolas nos cederam salas que eram utilizadas em projetos e foram desmontadas para receber nossos alunos. Além disso, toda a assistência administrativa e pedagógica é feita por nós, que nos desdobramos para ir de uma escola para a outra o dia todo'', completou a diretora.
Segundo a supervisora Eliana Sanchez da Silva Rocha, os 28 professores também enfrentam transtornos, já que precisam bater o ponto na Leônidas antes de se dirigirem às outras escolas para dar aula - para onde foram transferidos alguns alunos (leia abaixo) . Também não há uma sala para os docentes, que dividem espaço com a biblioteca e o almoxarifado. ''Quando alguma criança se machuca ou passa mal nas outras escolas, nós é que temos que ir buscá-la, trazê-la até aqui e depois avisar os pais'', acrescentou Eliana.
Conforme a diretora, no início da obra, as crianças e os funcionários tiveram de lidar com o barulho e a poeira causados pela demolição da antiga estrutura e pela terraplanagem do terreno. ''Até então aguentávamos tudo com alegria porque estávamos na expectativa da escola nova'', justificou Enelice.

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