Os cerca de 20 operários que trabalham na reforma da Escola Municipal Leônidas Porto Sobrinho, no Jardim Leonor (Zona Oeste de Londrina), paralisaram as atividades esta semana, e não pretendem voltar à obra. Com o salário atrasado há quase 50 dias, eles querem apenas receber pelos dias trabalhados. Segundo o mestre-de-obras Alziro Guerber, o último prazo para a conclusão foi estipulado para 12 de outubro. ''Mas, no estágio atual das obras, para terminar tudo iria até dezembro'', calculou.
Esse entrave agrava ainda mais o problema da falta de espaço enfrentado por professores, funcionários e alunos da escola desde março do ano passado, quando as obras tiveram início. A reportagem da FOLHA já havia relatado as más condições em abril deste ano. De lá para cá, a situação parece ter apenas se agravado. Com a chuva do último final de semana, a água acumulou-se sobre a laje e alagou uma sala de aula, parte do corredor e os banheiros. Foi preciso abrir buracos para ajudar a escoar a água. Mesmo assim, até ontem o teto ainda permanecia molhado e com goteiras nesses locais.
As aulas continuam sendo realizadas em três turnos durante o dia (além da educação de jovens e adultos à noite). Dos 500 alunos, cerca de 350 vão até à escola, mas não têm aulas lá. De lá, eles vão de ônibus até as escolas Maria Teresa Amâncio e Leonor Maestri de Held. Nesta, alguns alunos têm aulas até na sala de jogos.
Os estudantes que permanecem na Leônidas Porto Sobrinho têm seu recreio dividido por classes, e as crianças não têm espaço para brincar. ''Antes a gente brincava bastante. Agora eu demoro mais para comer, termino e vou ao banheiro. Não temos mais nem educação física'', queixou-se um aluno.
A proximidade das eleições gerou ainda outra preocupação: como abrigar urnas e eleitores no local. A saída foi distribuir duas urnas por sala de aula, e aproveitar ainda outras estruturas da escola. ''Vamos dividir este cubículo e nem vamos tirar as caixas'', comentou uma funcionária, referindo-se à área que serve de sala dos professores, despensa para materiais de limpeza e para materiais escolares. Perto dali, outra sala abriga a secretaria, direção, supervisão, sala de recursos (que atende 39 crianças da região) e de contraturno.
''Essa situação atrapalha a concentração nossa e dos alunos, e a irritabilidade é maior devido ao barulho das obras. As crianças ficam doentes, nunca tivemos um índice de faltas tão grande'', afirmou a professora Virgínia Feronato, que precisa ir a três escolas em três horários diferentes para atender alunos da mesma escola.

mockup