Érika Wandembruck
Especial para a Folha
De Curitiba
Depois de 20 anos lutando por recursos que custeassem as obras de reforma e restauração do ‘‘Palácio dos Estudantes’’, sede histórica da União Paranaense dos Estudantes (UPE), em Curitiba, os atuais dirigentes da entidade conseguiram apoio da prefeitura e do governo do Estado para o início dos trabalhos. Orçado em R$ 595 mil, o projeto de restauro dependerá da venda de cotas de potencial construtivo que serão colocadas à disposição da iniciativa privada e de pessoas físicas a partir da semana que vem, em edital de licitação. O convênio que garantirá os trabalhos foi assinado ontem.
As obras devem começar em março (dependendo do número de cotas vendidas) e a previsão é que possam ficar prontas em setembro deste ano, quando a UPE comemora 61 anos. O convênio para restauração é amparado por um decreto, respaldado na lei municipal 6.337-82, assinado pelo prefeito Cassio Taniguchi em dezembro passado. Ele autoriza a captação de recursos junto à comunidade, por considerar a reconstrução do prédio a sexta Unidade de Interesse Especial de Preservação (UIEP) da cidade.
‘‘Apesar do grande grau de deterioração da casa, suas principais caractísticas arquitetônicas serão mantidas com o auxílio do projeto e fotos antigas do prédio’’, diz o arquiteto responsável pela obra Jeferson Navolar. Depois da reforma, a construção contará com dois anfiteatros, quatro salas de exposição e um setor administrativo. Há intenção de reativar o Bar do Cardoso, que funcionou na década de 80 no porão do imóvel.
Além da restauração do prédio, durante a reforma, será reconstruído o teto, revestidos os pisos, paredes e tetos, reinstaladas a parte hidráulica, elétrica e telefônica, reformadas ou trocadas as esquadrias. A pintura fará com que a casa volte a ter sua cor original.
A edificação foi construída em estilo neoclássico em 1918, sendo adquirida pelo governo estadual em outubro de 1958. A casa foi utilizada pelo Departamento de Geografia, Terras e Colonização até 1959, quando foi cedida à UPE em regime de comodato. Mas na época da ditadura militar, a UPE foi extinta e o prédio voltou para o Estado. Somente em 1983, durante o governo de José Richa o imóvel foi novamente cedido à entidade, onde funcionou como sede dos estudantes até 1994, quando foi desativada por estar em mau estado.

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