Trinta por cento das vagas da Unidade Social Oficial de Internação de Londrina (Usoil) foram extintas. A unidade está em reformas desde dezembro, quando parte substancial do prédio foi destruída em uma rebelião, e tinha 89 vagas. A informação foi confirmada ontem pela diretora da unidade Laura Okamura durante um curso de capacitação dos funcionários do Usoil.
A drástica redução de vagas, segundo Laura, responde a critérios de segurança e socialização. Originalmente, a unidade tinha 40 alojamentos duplos dispostos lado a lado em um corredor em forma de ferradura. Com a reforma, os alojamentos foram separados em quatro alas com celas duplas e únicas. As vagas suprimidas foram ocupadas pelos muros e grades de separação.
Segundo Laura, o projeto original não era seguro, nem respeitava as disposições legais. ''A legislação preconiza que os adolescentes infratores sejam separados por critérios de faixa etária, vivência infracional, comportamento e compleição; era impossível fazer isso. O que ocorria era que não tínhamos como resguardar e garantir a integridade física dos mais fracos, por isso houve até um caso de abuso sexual lá dentro'', diz Laura.
Os problemas de segurança do prédio - que tem um histórico de rebeliões e tumultos - seriam minimizados com a reforma, que inclui também a ampliação de áreas para projetos de socialização, instalação de câmeras e portas automáticas.
A precariedade da unidade ficou evidente já no primeiro mês de funcionamento, em julho, quando tumultos e duas fugas foram registradas. Laura criticou o projeto arquitetônico da unidade. ''A pessoa que projetou e também quem aprovou esse projeto não tinha vivência nenhuma em unidades nem noção da ação sócio-pedagógica. Ela não tinha noção, por exemplo, do perigo de um corredor com uma única entrada e saída'', afirma.
Enquanto o prédio não fica pronto, os funcionários da instituição estão passando por uma série de cursos de capacitação. Um dos objetivos é ajudá-los a melhorar as atividades educacionais, proporcionar esporte, lazer e cultura. De acordo com o professor Antonio Carlos Gomes da Costa, membro da cátedra de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), isso faz com que eles procurem se reintegrar à sociedade, mesmo estando em um local de cerceamento de liberdade. Ele esteve ontem em Londrina, dando palestra no curso.
Segundo Costa, o segredo para ressocializar adolescentes infratores é dedicar tempo e bons exemplos e não apenas passar conhecimentos intelectuais. ''O desafio não é satisfazer as necessidades dos jovens mas criar neles as demandas para profissionalização, ensino e ressocialização'', argumenta.
Segundo a diretora da Usoil, Laura Okamura, a capacitação deverá ser concluída no dia 25 deste mês. Os primeiros adolescentes devem ser transferidos para o Educandário em meados de março. Ela garante que as oficinas profissionalizantes e e a quadra de esportes para lazer dos jovens, duas reivindicações dos internos que estavam no local, devem estar disponíveis.

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