As obras de reforma que vão transformar o Shopping Paulista no novo camelódromo, antes chamado de shopping popular, na esquina das ruas Brasil e Sergipe (centro), devem começar no dia 12 de agosto. A previsão é do presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella. ''O trabalho é simples, precisamos apenas colocar divisórias fazendo as repartições dos 316 boxes'', explicou Sella. Ele calcula que a reforma deve ficar pronta em 50 dias.
Depois das negociações com os camelôs interessados em se transferir para o novo camelódromo, Sella agora tem que arrumar dinheiro para pagar a reforma do imóvel. O custo está orçado em R$ 200 mil: ''Estou tentando buscar investidores, mas está difícil e até agora não fechei nada. Mas não vou desistir'', garante.
A resistência de muitos ambulantes da Avenida Leste/Oeste quanto a presença de outros tipos de estabelecimentos comerciais que funcionariam como âncoras fez com que a CMTU repensasse o projeto. ''Estamos eliminando os âncoras, mantendo apenas uma lotérica, três caixas eletrônicos e as lojas de passes que funcionariam para atrair o público ao local'', adiantou Sella.
A Polícia Federal vai abrir inquérito para investigar a origem dos produtos vendidos nos camelódromos. A requisição é do Ministério Público, que quer acabar com o contrabando de mercadorias, principalmente CDs e componentes eletrônicos ''pirateados''. '' Vamos cumprir as determinações do Ministério e pode haver apreensão'', informou o delegado-chefe da PF, João Luiz do Prado.
Há dois meses o Ministério Público Federal vem exigindo que os ambulantes abram firmas e legalizem a comercialização dos produtos. O prazo já foi prorrogado duas vezes em função da negociação da CMTU com os camelôs para a abertura do shopping popular.
Representantes dos dois camelódromos (das avenidas São Paulo e Leste/Oeste) estiveram esta semana com o procurador da república, Mario Ferreira Leite. Eles acreditam que antes de terminar o prazo previsto para a conclusão do inquérito, 30 dias, os ambulantes já estejam com a situação legalizada.
Para os ambulantes, a ameaça de apreensão da Polícia Federal e a mudança para o shopping popular devem significar o fim do comércio de produtos ''piratas''. Segundo Gonçales, muitos camelôs já mudaram de mercadoria. (Colaborou Marcos Espíndola)

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