Reforma de sete UBS em Londrina está atrasada
Secretário de Saúde justifica que foram acrescidos serviços que não estavam inicialmente previstos na licitação
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quinta-feira, 04 de abril de 2019
Secretário de Saúde justifica que foram acrescidos serviços que não estavam inicialmente previstos na licitação
Simoni Saris - Grupo Folha 

A unidade básica de saúde Dr. Carlos da Costa Branco, no jardim Alvorada (zona oeste de Londrina), foi reinaugurada nesta quarta-feira (3) após passar por uma ampla reforma que durou mais de nove meses. Construído em 1993, o imóvel foi ampliado e reestruturado para atender os mais de 22 mil usuários de nove bairros daquela região e os atendimentos serão retomados nesta quinta-feira (4). A reforma da UBS tinha prazo de execução de 120 dias a partir da assinatura da ordem de serviço, que aconteceu no início de julho de 2018, e foi entregue com cinco meses de atraso. Na mesma situação estão outros sete projetos de reestruturação de postos de saúde, cujas ordens de serviço foram assinadas entre junho e novembro do ano passado, tinham prazo de conclusão entre 120 e 150 dias, mas ainda seguem em reforma.
Com um investimento de mais de R$ 160,3 mil, a UBS do jardim Alvorada recebeu piso, telhado e pintura novos, algumas salas foram reorganizadas, a unidade ganhou uma farmácia para distribuição de medicamentos aos pacientes, foram feitas melhorias nos consultórios e sala de vacina e a estrutura foi ampliada, com a construção de dois banheiros para uso dos pacientes.
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Também foi feita a substituição de mobiliários e equipamentos. “Ganhamos como equipe, trabalhando em um local mais adequado, e ganha o usuário, que vai receber um serviço de maior qualidade”, avaliou a coordenadora da UBS, Elaine Campreguer Santos. Durante o período em que durou a reforma, os pacientes e funcionários foram remanejados para a UBS do jardim Tokio (zona oeste).
O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, lembrou que essa é a quinta reforma de UBS concluída na atual administração. Em 2017 foi finalizada a unidade do patrimônio Selva, depois a UBS Pind (zona sul), Panissa/Maracanã e jardim do Sol (zona oeste).
No momento, estão em andamento as reformas das UBSs da vila Casoni e CSU da vila Portuguesa (centro); conjunto Ruy Virmond Carnascialli, conjunto João Paz e conjunto Maria Cecília (zona norte); conjunto Ernani Moura Lima (zona leste) e jardim Piza (zona sul). Com prazos iniciais de entrega entre outubro e março, todas elas estão com atraso na execução. “Nessas unidades foram acrescidos serviços que não estavam inicialmente previstos na licitação, até por uma reivindicação da comunidade, e houve necessidade de aditivos de prazo para a execução para que os novos serviços pudessem constar no contrato e serem executados”, justificou Machado.
O secretário reconheceu, porém, que em algumas obras foram identificados “pequenos atrasos” no cronograma de execução e disse que as empresas foram notificadas para que cumpram o contrato.
Na zona rural, há três projetos em andamento nos distritos de Paiquerê, Lerroville e Warta, mas as obras estão dentro do prazo.
Segundo Machado, a reforma da UBS da vila Casoni, que deveria ter sido entregue em outubro, deve ser finalizada em abril e, na sequência, serão finalizadas as obras dos postos de saúde do conjunto Ruy Virmond Carnascialli e CSU da vila Portuguesa.
Maria Cecília
Enquanto as obras não são concluídas, os usuários das unidades em reforma se queixam da estrutura dos locais para os quais foram remanejados. Na zona norte, pacientes dos 11 bairros atendidos pela UBS do conjunto Maria Cecília passaram a receber atendimento em dois locais. A retirada de medicamentos e o agendamento de consultas são feitos na UBS Campos Verdes, no jardim Strass, e os atendimentos de urgência e emergência são realizados em um pronto atendimento instalado temporariamente na avenida Saul Elkind. Os usuários compreendem a necessidade da reforma, mas reclamam da falta de servidores suficientes para absorver a demanda e do espaço físico.
“É muito descaso”, resumiu a copeira Elizabeth da Silva. Moradora do conjunto Aquiles Stenghel, ela recebe atendimento na UBS do Maria Cecília, mas com as obras em andamento, além de ter que andar mais para conseguir um médico, o tempo de espera aumentou. “Tudo é feito com muito tempo. Cheguei aqui às 7 horas, passei pela triagem, mas a consulta demora. Todas as vezes que eu venho aqui, demora”, disse. Nesta quarta-feira ela estava no pronto atendimento na avenida Saul Elkind e esperava pela consulta há mais de três horas.
José Clemente Rodrigues é pedreiro aposentado e via a estrutura da antiga unidade de saúde comprometida a cada vez que precisava de atendimento médico. “Estava perigoso aquilo, os pacientes e os funcionários corriam risco”, atestou. A reforma, disse ele, é muito bem-vinda, mas a UBS Campos Verdes não comporta a demanda de usuários, assim como o pronto atendimento provisório. “Outro dia fui à UBS para fazer um exame e tinha mais de 40 na minha frente. Lá é sempre lotado.”
O secretário municipal de Saúde disse que a entrega da obra na UBS do conjunto Maria Cecília vai demorar um pouco mais. “Eram 120 dias (o prazo para conclusão da reforma), mas agora parece que tem alguns serviços que vamos acrescentar ao contrato”, explicou. “(As obras) não estão em atraso. Foram feitos aditivos porque convidamos a comunidade a acompanhar, até para melhorar a fiscalização e, no decorrer das obras, foram surgindo novas demandas, novas solicitações e foram feitas alterações no cronograma e também no que ia ser feito”, acrescentou o prefeito Marcelo Belinati.


