Carlos AlmeidaRiscoMoradores improvisam pinguela para fazer a travessia do Rio Laranjinhas; interdição muda a rotina das famílias O supervisor da Diretoria de Apoio Rodoviário aos Municípios (DARM) - órgão vinculado ao Departamento de Estradas e Rodagens (DER) -, José Roberto Alves Pereira, entregou aos municípios de Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho) e Congonhinhas (55 km ao sul de Cornélio Procópio) o projeto de reforma da ponte sobre o Rio Laranjinhas, na rodovia municipal 501.
A ponte está interditada desde janeiro, quando houve a queda de uma das cabeceiras. A rotina de cerca de 3 mil moradores dos distritos de Triolândia e São Francisco do Imbaú, que fazem divisa entre os municípios, é um transtorno constante.
A ponte tem 96 metros de extensão e era usada para escoamento de produtos agrícolas e industriais. Mas desde 1997, galhos e entulhos começaram a se acumular nos pilares centrais da ponte, fazendo com que a água do rio desviasse para as margens.
Como a região é constituída de solo arenoso misto, houve o desbarrancamento das margens, comprometendo a sustentação das cabeceiras.
‘‘O escoamento da produção ficou totalmente inviável para a maioria dos produtores. A opção de estrada que temos, desviando da ponte, é muito acidentada, causando um grande desgaste aos veículos’’, disse o produtor Milton Auersvald, da Fazenda Padroeira, a quatro quilômetros da ponte.
Segundo ele, os fretistas não se interessam mais em transportar a produção da região. ‘‘Há inclusive aqueles que já estão abandonando as propriedades’’, disse.
A distância entre o distrito de Triolândia (Ribeirão do Pinhal) a Congonhinhas pela ponte é de 22 quilômetros. Sem a ponte, o desvio é de 55 quilômetros.
‘‘O jeito é passar a ponte a pé e deixar um cavalo à disposição do outro lado para terminar o trecho’’, sugeriu o comerciante Glauco dos Santos, 52 anos.
Ele mora no distrito de Imbaú e passa pela ponte diariamente para buscar mercadorias em Triolândia.
Além da agricultura, Triolândia tem como base econômica e fonte de empregos o setor de cerâmica. Diariamente cerca de 40 mil tijolos saem dali para Londrina e região.
‘‘A queda desta ponte tem causado problema social. Desanimados, muitos moradores estão deixando os distritos. Se não forem tomadas providências, o êxodo será inevitável’’, disse o vereador Epinaldo Batista dos Santos (PPB), que é proprietário de uma cerâmica em Triolândia.
Segundo ele, a lenha que abastece a cerâmica está sendo transportada a pé sobre a ponte. ‘‘Um caminhão despeja a lenha de um lado da ponte, os funcionários carregam em carriola até o outro lado, onde outro caminhão está esperando’’.
Esperança O projeto de reconstrução da cabeceira da ponte faz parte de um acordo entre o Estado e os dois municípios.
‘‘O DER ficou com a responsabilidade de formular o projeto, dar orientação técnica e fazer as vigas de sustentação. Em contrapartida, os municípios entram com a mão-de-obra e infra-estrutura’’, explicou o engenheiro do DER, José Roberto Alves Pereira.
Mesmo de posse do projeto, os prefeitos dos municípios envolvidos não têm previsão de início da obra. O problema é comum, a falta de recursos. ‘‘Não estamos conseguindo nem fazer uma ponte de quatro ou cinco metros, quem dirá uma desse porte’’, disse o prefeito de Congonhinhas, José Olegário Ribeiro Lopes (PDT). Porém, ele garante que está tentando recursos junto ao governo do Estado. ‘‘Inclusive já estivemos com o secretário de Transportes (Heinz Herwig) e ele está ciente do problema’’. O prefeito de Ribeirão do Pinhal, Benedito Antônio Silveira Pinto (PDT), também está viabilizando recursos e diz ter muito interesse em que a ponte seja restaurada o quanto antes.

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