Reforma: como não perder (todo) o bom humor
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
De um dia para o outro, sujeitos que você nunca viu na vida invadem sua sala, banheiro, quarto. Marreta na mão, arrastam móveis, quebram parede, arrebentam piso, enchem o quintal com máquinas e materiais de construção... Batem, amassam, respingam... Sobe a poeira, a desorganização enche o ambiente, até o cachorro, coitado, fica deslocado...
Passar por essa via sacra sem ter como pedir um cantinho temporário na casa da sogra traz muita dor de cabeça e, claro, mal humor. Mas quem é do ramo garante que reforma nem sempre precisa ser sinônimo de estresse e que é possível evitar algumas pedras deste caminho.
Para quem não pode mais como adiar o inevitável, os especialistas adiantam que o erro mortal é começar a reforma sem fazer um planejamento anterior ao quebra-quebra. ''Planejar é absolutamente necessário. Aquele negócio de que 'não precisa porque é só um puxadinho' só dá encrenca. Outra coisa é ter cuidado com o 'Jack' - já que vou trocar o piso, trocarei também o azulejo -'', adverte o arquiteto e diretor do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi) em Londrina, Osvaldo Santos Jr.
Quando isso acontece, complementa, a reforma se torna um tormento, ''tanto para o cliente quanto para o profissional que foi contratado, principalmente quando o proprietário continua morando no imóvel''. Ele comenta que os transtornos com a obra - ''coisas fora do lugar, poeira, garagem bloqueada pelo monte de areia'' - atrapalham a vida do morador e quem paga o pato, quase sempre, são os operários. ''Ninguém suporta'', brinca, com seriedade.
O arquiteto garante, porém, que há como evitar parte do mal humor tomando algumas medidas básicas. Revistas de construção e decoração, por exemplo, ajudam a clarear as ideias. Outra dica é contratar um profissional habilitado no Crea, estabelecido no mercado, e discutir com ele o projeto mais adequado ao bolso e ao espaço a ser reformado. ''Neste projeto, que deve discutido com a família inteira, a comadre, a vizinha, o papagaio e quem mais quiser dar palpite, será feito o orçamento de tudo e uma previsão do que pode acontecer no futuro.''
Atentar-se à burocracia também é fundamental. Reformas amplas precisam ser licenciadas pela Prefeitura e obter a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) no Crea. Em condomínios, é preciso ainda de autorização da administradora. Mas Santos Jr alerta que, mesmo assim, os imprevistos são inevitáveis. ''Às vezes, se abre uma parede e há falta de ferro ou não tem fundação. Ou então, a rede de esgoto do vizinho aparece do nada no quintal. Os imprevistos acontecem e podem chegar a dar até 50% de acréscimo no custo final da obra'', afirma o especialista.
E a coisa pode ficar pior ainda quando se faz o famoso ''contrato de boca com o seu Zéquinha''. ''É um pedreiro bonzinho, barateiro, que já fez obra para minha filha. Mas se der algum problema e ele sumir, você vai reclamar com quem?''
Adicional
Às voltas com projetos há três décadas, a engenheira civil Eliza Koyama chama a atenção para as surpresas, principalmente em imóveis mais antigos que, em sua maioria, não contam com projetos estruturais: ''os clientes sabem o que não querem mas não têm noção se tudo que querem será possível de ser executado daquela maneira e, por isso, é preciso descobrir as possíveis interferências que podem ser encontradas'', aponta. Ela garante que o aumento da concorrência entre profissionais projetistas ajudou a derrubar os preços e o mito de que os projetos custam caros e que são dispensáveis. ''Projeto não é despesa. É um adicional que barateia custos e agrega valor ao imóvel'', valoriza.
A arquiteta Cynthia Queiroz aconselha a ver a reforma com outros olhos. Ela concorda que uma obra pode ser estressante mas também ''é sinônimo de renovação, de organização e de melhorar a forma de utilização espacial, priorizando o conforto, a técnica adequada e qualidade de vida''.


