O ultimato dado ontem pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para que os artesãos deixassem a Praça Marechal Floriano Peixoto, no centro de Londrina, não teve nenhuma ressonância. A reforma da praça foi iniciada na tarde de ontem mas os profissionais que exploram o comércio de artesanato continuaram com suas barracas abertas e garantem que não irão abandonar o local. Eles não aceitam a mudança para o Centro de Referência do Artesanato de Londrina (Cereal), como quer a prefeitura.
No início da manhã de ontem, cerca de 40 artesãos das praças Floriano Peixoto e Rocha Pombo se reuniram na CMTU e, por unanimidade, decidiram que resistiriam à transferência. O presidente da Companhia, Wilson Sella, que se irritou porque não teria sido convidado para participar da discussão, decidiu estipular um prazo até o final da tarde de hoje para que todos os artesãos das duas praças declarem se aceitam ou não participar do Cereal. Quem se omitir será excluído. ''De qualquer forma, nenhum artesão terá permissão para permanecer nas praças centrais'', avisou. Ele criticou a posição dos profissionais e comentou ter ''certeza de que estão sendo manipulados''.
De acordo com Sella, o prédio onde deverá funcionar o Centro de Referência, situado na avenida Rio de Janeiro, 187, já foi alugado por R$ 7,3 mil pagos pela Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel). Na fase inicial, o espaço irá abrigar 250 artesãos. Após sua consolidação, a intenção da prefeitura é alocar todos os 700 artesãos existentes em Londrina. Os profissionais que aceitarem a mudança não pagariam aluguel durante a administração do prefeito Nedson Micheleti (PT) e arcariam apenas com as despesas de água e luz. Sella descartou o uso da força caso os artesãos decidam continuar na praça.
O presidente da União dos Artesãos da Praça Marechal Floriano Peixoto (Uniflor), Demindo Florentino, rebateu as acusações de que a categoria teria excluído a CMTU do debate. ''Como iríamos invadir a CMTU? Combinamos que se a maioria concordasse com a mudança a gente chamaria ele. Como ninguém aceitou, o que ele iria fazer lá?'', questionou. Ele argumentou não existirem garantias de que a mudança será benéfica para os artesãos e que perderiam clientes indo para um espaço fechado que não possui nenhuma condição de abrigá-los.
Enquanto Florentino falava com a imprensa, cerca de 20 homens da CMTU e da Secretaria Municipal de Obras começaram o serviço de retirada do petit-pavet em frente às barracas. Houve um princípio de discussão quando fiscais da CMTU colocaram placas para impedir o trânsito, que foram retiradas. O presidente da Uniflor considerou a atitute ''anti-democrática''. ''Até hoje ninguém viu esse projeto de reforma da praça'', criticou. Os artesãos fizeram uma barreira com bancos e cadeira e impediram que o piso próximo às barracas fosse arrancado.
No final da tarde, fiscais da CMTU entregaram aos artesãos a notificação sobre o últimato dado pela CMTU. Todos afirmaram que não irão assinar.

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