Arquivo FolhaPreocupaçãoA coordenadora Cleide Camargo: ‘A mulher não pode ter seus problemas tratados de forma isolada’O trabalho do Centro de Atendimento à Mulher (CAM), programa principal da Coordenadoria Especial da Mulher (CEM), está ameaçado. No projeto de reforma administrativa encaminhado à Câmara de Vereadores no início do mês, a Coordenadoria tem sua atuação limitada ao atendimento da mulher vítima de violência física. Perde de vista o objetivo principal de sua criação: garantir junto aos órgãos públicos e comunidade em geral ações efetivas que garantam à mulher igualdade de condições no acesso aos direitos de cidadão.
Além do atendimento à mulher vítima de violência, que inclui desde encaminhamento jurídico, apoio psicológico, até oficinas de trabalho, a CEM leva também informação à comunidade organizada e escolas sobre a questão de gênero. Com a reforma administrativa proposta pelo Executivo, a CEM teria sua atuação limitada ao atendimento jurídico dos casos de violência contra a mulher.
A coordenadora da CEM, Cleide Camargo, explica que o projeto apresentado à Prefeitura pela equipe da Coordenadoria visava ampliar funções. ‘‘Foi uma surpresa, mas ainda acredito na possibilidade de modificar, através de emendas do próprio Executivo, o projeto que tramita na Câmara’’, disse.
Cleide Camargo esclarece que a Coordenadoria pretendia iniciar um trabalho em parceria com as demais secretarias e buscar soluções para atender as demanda das mulheres londrinenses.
‘‘A mulher está dentro de um contexto social e não pode ter seus problemas tratados de forma isolada, como pretende o projeto do Executivo.’’ A coordenadora reforça que a mulher representa 52% da força de trabalho, responde pela chefia de 25% das famílias e é a única provedora de 50% das famílias mais empobrecidas. ‘‘É preciso repensar os serviços em todas as áreas para poder suprir as necessidades destes novos tempos. Mesmo porque a questão de gênero é uma questão social e dela depende a qualidade da sociedade que queremos ter.’’
‘‘É um retrocesso pretender que a violência seja tratada apenas quando se torna ação física e deixa marcas’’, diz Cleide Camargo. Atualmente, o CAM atua com 34 profissionais, entre eles, psicólogos, advogados e terapeutas ocupacionais. No ano passado foram 4.021 atendimentos, incluindo as palestras feitas em escolas e entidades. Dos casos de denúncia por violência, 30% não chegaram a se transformar em ações na Justiça.
(Célia Baroni)

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