Reforço escolar busca evitar repetência
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segunda-feira, 23 de junho de 1997
Josiane Schulz Londrina 
Eles vão ficar sete horas por dia estudando Literatura, Língua Portuguesa e Matemática. Os 425 alunos de 1ª à 4ª série e 100 alunos de 5ª série do Centro de Atendimento Integrado à Criança Dolly Jess Torresin - o Caic da zona sul - começaram ontem a ter aulas intensivas de reforço. É a Operação Resgate, que vai acontecer até 10 de julho.
Segundo a supervisora geral do Caic, Sonia Maria Millet dos Santos, o objetivo da campanha é reforçar os conhecimentos dos alunos. Percebemos que muitos deles não entendiam as matérias, apenas decoravam. E isso acaba sendo um entrave na evolução da escolaridade, disse. Sonia explicou que, como nos três primeiros anos do ensino básico não existe repetência, essas defasagens acabavam se refletindo no 4º ano e no ginásio, provocando repetência.
Os alunos do Caic da zona sul, segundo a supervisora, têm perfis especiais. São alunos evadidos da escola, multirrepetentes ou que estão fora da idade escolar. A Operação Resgate visa consolidar as bases de estudo desses alunos para evitar a repetência mais tarde. Dado fornecido pelo diretor geral do Caic, Amauri Cardoso, mostra que cada aluno custa para o município, anualmente, cerca de R$ 400 - valor que poderia ser economizado para investimento em novos projetos da educação.
Os professores do Caic voltaram todos os esforços para a Operação Resgate. Nas aulas do período letivo os professores deixaram as matérias novas para depois. Agora é só revisão. As aulas nas oficinas também foram suspensas. O horário está sendo preenchido pelo intensivo. É um trabalho solidário de todos os professores, diz Sonia dos Santos.
Para despertar a participação dos alunos, cada dia está sendo preenchido por uma atividade diferente. São aulas que mesclam música, poesia, leituras e contas. Um trabalho divertido, como define a supervisora. Ao final de cada dia, os professores pretendem se reunir para avaliar o trabalho e tentam definir os melhores caminhos. Somos responsáveis pelo futuro dessas crianças. Nosso trabalho funciona como um todo. É baseado na integração.
Segundo a supervisora, os alunos terão muito trabalho pela frente. Serão leituras de livros, cartas, bulas de remédios e jornais, para aprender melhor a língua portuguesa, aprender estilos e criar o gosto pela leitura. Depois. haverá as discussões sobre os assuntos tratados e também a redação - o relato do que aprenderam.
Na ponta do lápis, eles vão reaprender as noções fundamentais da matemática. Para o final da Operação Resgate está reservada a prova, que não vai contar como nota, mas como avaliação da campanha. Sonia diz: Vamos encerrar a Operação com uma exposição dos trabalhos realizados durante o intensivo.


