Reforçando os direitos de inclusão
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quarta-feira, 19 de março de 2014
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina O Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado amanhã, é um marco para reforçar os direitos de inclusão e derrubar o preconceito ainda existente. Em Londrina, a data já será lembrada hoje, às 16 horas, quando os grupos Arte em Movimento e Dançarte, da Associação Arte e Gente, vão fazer apresentações na Praça de Eventos do Shopping Com-Tour, zona oeste. Segundo os organizadores, os alunos com deficiência intelectual ensaiaram duro durante as últimas semanas e estão afiados para demonstrar o talento para o público.
O evento batizado de Uma Tarde Especial é uma parceria da Arte e Gente com a Associação de Pais de Amigos da Síndrome de Down (APS Down) e o shopping. Especialistas e familiares de pessoas com Down ressaltaram a importância da data, celebrada desde 2006, que foi estabelecida no dia 21 de março em referência aos três cromossomos número 21, que caracterizam a síndrome. Segundo as mães ouvidas pelas reportagem na manhã de ontem na APS Down, o grande desafio é conscientizar a população que não há nada de anormal com seus filhos.
O desafio de quebrar o preconceito, muitas vezes, começa pelos próprios pais. Andrea Nascimento Antonholi, mãe de Gabriel, de 6 anos, contou que "enlouqueceu" quando recebeu a notícia do pediatra. "No começo foi difícil. Eu surtei, meu marido chorava como criança. A falta de conhecimento faz essas coisas", revelou. "Eu via aquelas crianças com olhinhos puxados na rua e não sabia nada sobre o mundo delas. Depois estudamos sobre o assunto e descobrimos que estávamos totalmente enganados", completou.
Segundo Andrea, os desafios são grandes, e renovados a cada etapa vencida pelo filho. "Quando ele era pequeno perguntava se conseguiria andar, comer sozinho. Hoje perguntei se ele vai conseguir ler. A professora pediu paciência, pois acabou de entrar na escolinha. Ele se supera a cada dia", comemorou. No bairro onde mora, no Império do Sol (zona norte), Gabriel é muito querido e popular. "Todo mundo gosta dele. Esse apoio da comunidade foi essencial. E pensar que antes eu andava encolhida com ele escondido entre os braços, não sei se por vergonha ou medo. Que bobagem", lembrou.
Quanto ao futuro, ela se diz otimista. "A sociedade vai dando pequenos passos para quebrar preconceito, mas ainda falta bastante. Acredito que estamos abrindo caminho. Tomara que daqui a 20 anos não exista mais essa diferenciação."
Resultados
Candidata a integrar os grupos de dança da Associação Arte e Gente, Giovanna, de 11 anos, é fã de música, mas tem um estilo preferido: o funk. A mãe, Delma Cristina Maranho, conta que se diverte aos ver a garota dançar os passos do ritmo do momento. "É uma menina normal, inclusive uma aborrecente, tem opinião e bate de frente para defendê-la", disse. Segundo ela, mesmo com todos os avanços a sociedade ainda tem muito que evoluir para que a inclusão seja uma realidade.
João Ricardo, de 2 anos, frequenta a APS Down desde os primeiros meses de vida. A mãe, Simone Aparecida Brandão, credita todo o bom desenvolvimento do filho ao trabalho da instituição. "Graças à APS Down ele é uma criança maravilhosa, esperta, normal. Não tenho problemas, além de uma atenção especial dedicada, o que só reforça o amor."
Instituição filantrópica fundada em 1993, a APS Down atende 134 alunos com acompanhamento pedagógico e terapêutico com psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e outras especialidades. "Quanto antes a criança for acompanhada, melhor os resultados que ela vai apresentar", explicou a diretora da entidade, Idalina Alzira Marques.
Serviço
A APS Down está localizada na Rua Plutão, 245, Jardim do Sol; fone (43) 3338-9038


