Reféns foram ameaçados de morte
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de agosto de 1997
Da Redação 
Com cortes por todo o corpo, principalmente no rosto e na cabeça, alguns profundos, os três reféns da rebelião do 5º Distrito Policial contam que foram ameaçados de morte e temem o retorno. Depois de esperarem sentados num corredor, enquanto a situação era controlada, eles foram levados para um hospital no início da noite.
O mais machucado, Sandro Aparecido da Silva, 19 anos, mal conseguia se manter sentado. Com o olho esquerdo fechado pelo inchaço, devido ao corte na testa feito com a quina de uma porta, ele tremia o tempo todo e chorou ao contar como aconteceu. Estava dormindo, eles me acordaram, falaram para ficar tranquilo. Comecei a andar pelo corredor e na passagem me pegaram. Não me bateram mais porque os outros presos não deixaram, contou. Silva está preso há 13 dias por tentativa de assalto à mão desarmada, segundo ele.
Os reféns não sabiam ao certo por que foram os escolhidos para apanhar. Giovani Simões, 19, suspeitava que, no seu caso, os outros presos não gostaram dele ter caído outra vez depois da liberdade condicional conquistada há poucas semanas. Ele foi preso por roubo a pedestres. Elias Pereira Galvão, 20, preso há cinco meses por roubo, ficou com vários cortes na cabeça feitos com faca. Não deu para ver quem era. Eram muitos, disse. O problema vai ser na volta, que vou apanhar de novo.
O medo de Galvão é o mesmo dos outros reféns. Eles ameaçaram de morte várias vezes. Tenho bastante medo, mas sei que depois do hospital vou voltar. O jeito é se apegar em Deus, consolava-se Simões. A hora de voltar vai ser muito pior. Eles marcam um e querem aquele lá, lamentava Silva. (Edmara Michetti)


