A professora Jussara de Fátima Lustoza Fedato, a mais ferida durante a rebelião na Penitenciária Estadual de Londrina, sofreu ferimentos no braço esquerdo, mão e perna, provocados por balas de borracha usadas pelo Pelotão de Choque da Polícia Militar, aprovou a ação dos policiais. ‘‘Eles foram rápidos e eficientes’’, comentou. Segundo a professora, não houve excessos por parte da polícia, já que, na opinião dela, não havia outra maneira de dominar o motim. ‘‘Tudo aconteceu de repente. Quando vi que estava ensanguentada não quis olhar mais nada em volta’’, afirmou.
De acordo com Jussara, ‘‘é difícil falar em direitos humanos de presos quando você vive um momento como aquele’’. Ela acredita que a sociedade tem uma parcela de responsabilidade quando se omite na reinserção do ex-presidiário. Para ela, fora das grades, os direitos dos ex-detentos também são pouco respeitados pela sociedade.
O professor da PEL Maurício Cardoso Fedato, marido de Jussara, contou que tentou conversar com os presos amotinados. ‘‘Quando ouvimos o barulho na oficina tentei segurar a porta da sala onde estávamos, mas os presos forçaram com violência’’, contou. Fedato disse que não ficou clara a razão da revolta. ‘‘Perguntei o que eles estavam reivindicando. Concluí que foi uma ofensiva sem objetivo.’’
Além de Jussara e Maurício Fedato, os professores Antonio Luiz de Andrade Lima, Nilsa Henriqueta Martins, Darcy Tomazini e Joana D’Arc Lopes estavam preparando a festa de confraternização do final de ano letivo. Segundo Joana, compareceram somente 29 alunos, dentre os 110 inscritos no Núcleo Avançado de Ensino Supletivo. ‘‘Acho que foi uma ação planejada, porque eles gostam de bolo e nem todos compareceram na festa, que iria começar às 10 horas’’, comentou Joana. Ela disse que foi usada como escudo pelos presos. ‘‘Os presos pareciam vestidos com a pele de demônios’’, afirmou. ‘‘Só temos a agradecer à polícia. Estamos vivos por milagre’’, disse.
Para Joana, os detentos se revoltaram contra o sistema, ‘‘principalmente nesta época do ano’’. Ela diz que sente pena dos presos, apesar da experiência traumática. Joana e os demais professores confirmaram presença nas salas de aula da PEL. ‘‘Vamos lecionar, com muito prazer’’, garantiram. O projeto de ensino supletivo deve voltar normalmente a partir de janeiro.

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