Refém diz que sequestradores pediam calma
No Banco do Brasil de Maringá, a informação ontem era de que o gerente, Oriovaldo Lazaro Britta e o tesoureiro, Edelcio Miranda, não estavam trabalhando. Nenhum funcionário estava autorizado a passar informações à imprensa.
Na casa de Miranda, a mulher dele, Márcia, disse à Folha que o marido estava trabalhando, e que anteontem ele ficou no banco até às 21h30. Márcia disse que vizinhos notaram a presença de um veículo estranho na rua nos últimos dias, mas ninguém desconfiou de nada.
Ela contou que, ao abrir o portão de casa na segunda-feira de manhã, Miranda foi rendido por quatro homens armados. Em nenhum momento, segundo Márcia, os sequestradores usaram violência ou fizeram qualquer ameaça. Eles estavam bem vestidos, foram ágeis e até gentis com a gente, muito calmos e sempre procurando acalmar todos, revelou.
No cativeiro, um armazém desativado próximo ao centro de Maringá, a família dela e a do gerente Britta, que mora em Londrina, ficaram amarradas com fita crepe. Márcia conta que o único problema enfrentado pelos sequestradores foi a presença de um operário que estava no armazém retirando alguns postes do pátio. Ele acabou virando refém. A Folha não conseguiu localizar o operário.
Por volta de 10 horas, o resgate de R$ 1,5 milhão era entregue pelo gerente Britta e pelo tesoureiro Miranda aos sequestradores, no centro de Maringá. Assim que os sequestradores receberam a confirmação do pagamento do resgate, pelo celular, os reféns foram abandonados no barracão e a porta do local foi obstruída com um caminhão. Os próprios reféns conseguiram se soltar, cortando a fita crepe com os dentes.
O filho mais velho de Márcia e o operário, que são magros, conseguiram passar por uma fresta e sair do armazém. Eles retiraram o caminhão e todos puderam deixar o cativeiro.
Ontem Márcia disse que não saiu da rotina. Logo de manhã, levou os dois filhos, de oito e 16 anos, para a escola e o marido ao trabalho.





