A proposta de reestruturação do Pronto Atendimento Infantil (PAI), que ontem completou dois anos em funcionamento, está sendo recebida com cautela pela direção dos hospitais, postos de saúde e lideranças comunitárias de Londrina. A preocupação é que a medida seja adotada antes que os postos e hospitais possam arcar com a responsabilidade de atender à demanda de quase cinco mil pessoas originárias do PAI.
O estudo que está sendo realizado pela Secretaria Municipal de Saúde pretende centralizar no PAI somente o atendimento a especialidades médicas pediátricas. Os procedimentos mais simples seriam realizados pelos postos e hospitais dos bairros. Segundo a secretaria, mais de 90% dos atendimentos realizados no PAI poderiam ser feitos nos postos de saúde. A medida seria uma forma de racionalizar custos, uma vez que o PAI consome 15% (R$ 390 mil) do orçamento mensal da secretaria, que é de R$ 2,4 milhões.
O diretor-superintendente da Irmandade Santa Casa de Londrina (mantenedora da Santa Casa, Mater Dei e Hospital Infantil Sagrada Família), Fahd Haddad, considera que a descentralização do atendimento pediátrico é necessária porque aproxima o atendimento. ‘‘Na época em que o PAI foi criado, ele era importante para a sa© úde. Agora, com a descentralização, podemos considerar que ele teve filhos’’, comparou. Por outro lado, Haddad alerta para que se encontre ‘‘uma forma de viabilizar (a mudança) sem muito ônus, para que a idéia possa ser colocada em prática com sucesso’’.
O diretor-clínico do Hospital Universitário (HU), Sylvio Villari Filho, diz que o estudo precisa deixar claro as responsabilidades de cada um. Villari teme que o HU receba uma demanda além da sua capacidade, pois dispõe de melhor infra-estrutura juntamente com o Hospital Infantil. Hoje, representantes do setor de pediatria do HU se reúnem com a Secretaria Municipal de Saúde para discutir o assunto.
O presidente do conselho regional de Saúde da zona leste, Armando Paulo Porto Alegre considera a medida precipitada, pelo menos a curto prazo, ‘‘porque os postos já estão sobrecarregados’’. Ele afirma que na região onde mora existem nove postos de saúde e todos têm deficiências e faltam médicos. A também líder comunitária em Saúde da zona norte, Maria Giselda de Lima, acredita que se a reestruturação preconizar ‘‘mais médicos pediatras, será ótimo’’, pois é difícil chegar até o PAI e os postos de saúde, hoje, carecem destes profissionais.

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