Reeleição de reitor terá plebiscito
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terça-feira, 11 de novembro de 1997
Lúcio Horta 
Londrina
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) vai realizar na próxima quinta-feira um plebiscito para decidir se aprova ou não uma mudança no Estatuto e no Regimento Interno da instituição: a reeleição para os ocupantes de cargos eletivos, inclusive reitor e vice-reitor, em todos os níveis da UEL.
A decisão foi tomada ontem pela manhã numa rápida reunião do Conselho Universitário. Dos 66 conselheiros, houve apenas quatro votos contrários à proposta e uma abstenção. Toda a comunidade acadêmica (alunos, funcionários e professores) vai poder participar, com voto paritário. A Câmara de Legislação e Recursos do próprio Conselho será a responsável pela consulta.
O reitor da UEL, Jackson Proença Testa, comemorou a decisão e defendeu que não seria recomendável discutir reeleição no ano que vem, na mesma época da discussão do regimento eleitoral e da eleição para reitor e diretores de centro. Além disso, ele afirma, a urgência na realização do plebiscito é justificável já que, desta forma, os atuais chefes de departamentos e colegiados de centro poderiam participar das próximas eleições, marcadas para este ano. Caso contrário, diz Testa, seria casuísmo discutir reeleição somente para reitor. E o tempo (quinta-feira) não é curto porque a comunidade vem discutindo a tese da reeleição há muito tempo. O nosso colegiado é muito politizado.
Para o reitor, a proposta do plebiscito - apresentada por uma professora do Centro de Educação, Comunicação e Artes (Ceca) - foi correta e digna. O Conselho Universitário abriu mão de sua competência e deixou que a comunidade decida sobre a reeleição. É a primeira vez na história da Universidade que se faz um plebiscito. Espero que outras entidades ligadas à Universidade possam seguir o mesmo exemplo.
O reitor observa ainda que a reeleição significa o aperfeiçoamento do sistema democrático por possibilitar a continuidade de um trabalho que tem trazido bons resultados. Se aprovada, ele diz, a UEL será a primeira universidade estadual do Paraná a ter reeleição, como já acontece por exemplo em universidades de Pernambuco e Santa Catarina. Temos que aproveitar a experiência de quem está trabalhando bem. E reeleição não quer dizer recondução. Testa, no entanto, não assume ainda que é candidato.
O Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol) também avaliou que a aprovação do plebiscito foi uma vitória da democracia dentro da universidade. A gente sempre defendeu que a comunidade deve ser consultada em toda a mudança, afirma o presidente da entidade, César Antônio Caggiano. Ele concorda que a comunidade acadêmica está em condições de votar a matéria: A reeleição está no ar.
Já a presidente da Aduel, Sandra Regina de Oliveira, prefere esperar uma reunião da entidade para depois tirar uma posição oficial sobre o plebiscito. Ela questiona, no entanto, os critérios que serão determinados na mudança do regimento. A possibilidade de reeleição para os atuais ocupantes de cargos eletivos, por exemplo, é considerada por ela como mudar as regras no meio do jogo.


