Reduzir, reusar e reciclar
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terça-feira, 29 de abril de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Como toda manhã, ao levantar da cama, o rapaz seguiu até o banheiro para lavar o rosto e escovar os dentes. Qual não foi sua surpresa quando, no lugar de um fio d'água, descobriu o cabo de um mouse escorrendo pela torneira. A cena maluca, veiculada em um comercial de televisão, alerta para uma prática pouco discutida pela sociedade: o descarte de lixos eletrônicos. Com pouca ou nenhuma informação, a população ainda se desfaz de computadores inteiros, aparelhos de tevê e rádio, baterias e pilhas no lixo comum.
Na definição da enciclopédia virtual Wikipedia, lixo eletrônico é o nome dado aos resíduos da rápida obsolescência de equipamentos eletrônicos, que inclui computadores e eletrodomésticos, entre outros dispositivos. Tais resíduos, descartados em lixões, constituem-se num sério risco para o meio ambiente, pois possuem em sua composição metais pesados altamente tóxicos, como mercúrio, cádmio, berílio e chumbo. Em contato com o solo estes metais contaminam o lençol freático e, se queimados, poluem o ar, além de prejudicar a saúde dos catadores que sobrevivem da venda de materiais coletados em lixões.
Por meio da resolução 257, de 1999, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) tornou lei a destinação correta de pilhas e baterias, obrigando fabricantes, importadores, redes autorizadas de assistência técnica e comerciantes a implantarem mecanismos de coleta e de responsabilidade sobre o material tóxico que produzem, sob pena de pagarem uma multa que pode chegar até a R$ 2 milhões.
Ainda assim, a maior parte do chamado e-lixo continua indo parar em fundos de vale, pois não há uma campanha pela reciclagem deste tipo de material. A maioria dos equipamentos é desmontada e vendida como sucata, principalmente componentes plásticos e metais. Já o que não é considerado reciclável deveria ser devolvido às empresas fabricantes, conforme a resolução do Conama.
Em Londrina, doações para entidades carentes tiram de circulação parte do e-lixo que certamente iria parar nos fundos de vale. Mas ainda é pouco. Um exemplo de reciclagem solidária acontece no Lar Anália Franco, onde um técnico reverte computadores quebrados em renda. Conforme o gerente do bazar da instituição, Pedro Martins Neto, hoje a reciclagem de equipamentos de informática obsoletos só perde para a reforma de móveis usados.
''Recebemos muitas doações e o que dá para arrumar a gente arruma. O que não dá, a gente revende para empresas de informática que aproveitam as peças ou desmontam e vendem os materiais como recicláveis'', explicou Neto. Segundo ele, o Lar costuma receber mais de cinco CPUs por dia, além de monitores e teclados e eletroeletrônicos como televisores e rádios.
''Como a gente não dá garantia, podemos vender mais barato, mas a maioria dos itens ainda é vendida como sucata'', completou o gerente, reforçando que o Lar aproveita de tudo. Depois de reformado, um monitor pode ser vendido por até R$ 80. Segundo Neto, as CPUs são vendidas por cerca de R$ 50 e existem teclados por R$ 3 a R$ 5. ''É um setor do bazar que compensa bastante. Eu pago o funcionário e ainda sobra.''
Outra iniciativa solidária equipou a creche Cantinho dos Anjos, que atende as crianças do Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte). Conforme a coordenadora da instituição, Adriana Galieta dos Santos, amigos da comunidade doaram três computadores defasados e uma impressora multifuncional para o centro de educação infantil. ''Os computadores estavam muito antigos, sem memória, então demos os três equipamentos como pagamento para o técnico instalar um computador novo e agora, pela primeira vez, temos acesso à internet'', comemorou.
Serviço- Doações para o bazar do Lar Anália Franco podem ser feitas pelo telefone (43) 3322-2373. Já quem quiser ajudar a creche Cantinho dos Anjos pode ligar para (43) 3338-4228.


