''É um desperdício de vidas'', lamenta o médico plantonista do Siate, Mauro Roberto Basso, falando do alto número de mortes no trânsito de Londrina. Acostumado a uma rotina profissional repleta de tragédias, das quais muitas poderiam ser evitadas, Basso conta que as vítimas de maior gravidade são os pedestres. ''São casos em que o impacto de um veículo de 800 kg ou mais incide diretamente sobre as pessoas, sem proteção alguma.''
Os idosos e crianças compõem a população mais sujeita a atropelamentos. ''São pessoas com reflexos mais lentos '',
explica.
De acordo com Basso, padrões mundiais da literatura médica mostram que para cada morte, os atropelamentos também fazem outras 3 a 4 vítimas que ficam com sequelas permanentes como paralisia, amputações, danos neurológicos, perda de função de membros, entre outras. Em Londrina, isso significa que além dos 33 pedestres mortos no ano passado, os atropelamentos geraram uma legião de mais de 100 vítimas graves que não irão se livrar das consequências das colisões.
A causa mais comum dos óbitos é um quadro de politraumatismo. ''É uma situação em que há comprometimento de várias partes do organismo'', diz Basso.
Para reduzir a quantidade e gravidade dos atropelamentos, o médico garante que só há uma alternativa, simples, eficaz e sem custo: redução de velocidade. Segundo o médico, as estatísticas são claras:''O que determina o grau dos ferimentos é a velocidade dos veículos. Durante um acidente, quanto mais rápido estiver o veículo, o saldo será mais vítimas graves e mortes. Quanto menor for a velocidade, os ferimentos resultantes também serão de menor gravidade.''
Basso realizou uma pesquisa em 1998, apresentada como tese de mestrado, indicando que 30% dos atropelamentos em Londrina envolvem crianças. Os jovens pedestres se diferenciam dos adultos pela forma de reagir à iminência do acidente. ''Enquanto os mais velhos tentam fugir do atropelamento se virando defensivamente, as crianças olham diretamente para os carros. É muito comum nestes casos a colisão diretamente na parte abdominal.''
O médico plantonista afirma que, de 98 para cá, não tem estudado as estatísticas detidamente, mas, pelo trabalho do dia-a-dia, percebe que, ''infelizmente, as coisas continuam iguais''. (F.C.)

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