Os londrinenses que viveram na cidade durante a década de 80 conviveram com algumas medidas implementadas pela prefeitura para economizar energia. Entre as ações estavam a retirada de lâmpadas de forma alternada em alguns postes e a implantação de aspersores de água para molhar o teto da prefeitura, evitando assim o uso de aparelhos de ar-condicionado. Na época o prefeito já sabia que os gastos com energia elétrica eram um dos principais gastos da administração pública. Desde então o município se desenvolveu e as despesas com a energia elétrica acompanharam esse crescimento. Atualmente, uma economia poderia ser gerada com algumas medidas que já são adotadas na iniciativa privada.
Uma das alternativas seria a implantação de sistemas de supervisão e aquisição de dados, por meio de softwares. Posteriormente recomenda-se a aquisição de um software integrado para gestão da infraestrutura de centro de dados. Isso faz com que a administração pública monitore onde e como estão sendo gastos os recursos para poder identificar quais medidas podem ser adotadas para minimizar o problema.
O presidente da Schneider Electric Brasil, Rogério Zampronha, explicou que se as medidas acima mencionadas fosse adotadas seria possível reduzir em até 30% os recursos dispendidos em energia. Ele foi um dos palestrantes do Xperience Efficiency 2013, evento realizado em São Paulo neste mês, promovido pela Schneider, especialista global em gestão de energia. Na programação, palestras e discussões sobre soluções para os problemas das cidades e como transformá-las nas chamadas cidades inteligentes.
Segundo Zampronha, 10% da economia obtida seriam oriundas da troca de equipamentos antigos por mais eficientes; outros 10% pela automação de algumas funções e mais 10% com o monitoramento dos gastos e com soluções criativas para os gargalos identificados. A grosso modo, a automação diminui a necessidade de mão de obra, que pode ser direcionada para setores mais carentes. Já a troca de equipamentos antigos que consumiam mais energia por outros mais eficientes seria semelhante àquela adotada por muitas donas de casa, que trocam uma geladeira antiga que consome muita energia por outra que gasta menos.

Onda verde
Outro passo seria a implantação de redes inteligentes, os smart grids, que obtêm dados por sensores que são enviados a um software que analisa o que está errado. O princípio poderia ser aplicado para vários departamentos, mas um exemplo prático é o funcionamento dos semáforos. O ex-engenheiro de tráfego da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) e atual funcionário da Telvent, Luiz Matias, afirmou que a maioria dos semáforos utilizados em Londrina, de tempo fixo, está obsoleta.
"A onda verde privilegia apenas uma via principal, mas é preciso que as ruas adjacentes também sejam preparadas para receber o fluxo de veículos, por isso não basta uma onda verde em uma via se as outras ruas não estão preparadas para receber o fluxo. O tempo de sinal verde deve aumentar ou diminuir conforme a demanda", destacou Matias. Ele afirmou que atualmente existem semáforos inteligentes que trabalham com os dados obtidos pelo monitoramento por câmeras em tempo real, com tecnologia por satélite.
O gerente da Telvent, Leonard Marcelle, afirmou que o custo em relação ao benefício é enorme. "Ao substituir os equipamentos, em dois anos ele se paga. Só de trocar semáforos com lâmpadas normais por lâmpadas de LED, que gastam menos energia, já gera uma grande economia", garantiu. Para o município, o simples fato de os carros não ficarem tanto tempo parados representa também uma diminuição na emissão de monóxido de carbono. Ele explicou também que pelo novo equipamento o monitoramento pode ser feito remotamente e sua implantação não exige a instalação de cabos subterrâneos, o que preserva o pavimento. "Com exceção de cruzamentos com muitos semáforos. Nesse caso é necessário ligar um semáforo ao outro por cabos subterrâneos por haver risco de interferência no sinal", destacou.
Diante do questionamento de onde seriam obtidos os recursos para a aquisição dos equipamentos, o diretor comercial da Schneider, Renato Meirelles, destacou que existem, além dos recursos próprios, linhas de financiamentos de agências de fomento, parcerias público-privadas, recursos do Ministério das Cidades e contratos de concessão pública. "É preciso que os administradores municipais pensem 'fora da caixinha', encontrem soluções para obter esses recursos",destacou.
O repórter viajou a convite da Schneider Electric.

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