No último domingo, antevéspera de Natal, o comércio funcionou em horário equivalente ao de um dia de semana normal, mas as linhas de ônibus seguiram a mesma tabela utilizada nos sábados em que o comércio fica aberto até mais tarde. ''O comércio abriu normalmente, mas as empresas colocaram os ônibus como se fosse feriado. Acho que a Câmara e a CMTU deveriam cobrar mais, por uma melhor prestação desse serviço público. Isso é um deboche com a população'', avalia o advogado Adriano Bento dos Santos, que chegou a escrever uma carta à FOLHA para reclamar do problema.
A queixa dos usuários quanto à redução da quantidade de ônibus nos finais de semana e feriados é comum. A vendedora autônoma Laides Martim de Lima, 62 anos, conta que já chegou a perder compromissos por causa da demora do ônibus. ''Já aconteceu de eu estar indo para a igreja no domingo, e ficar esperando o ônibus até que deu a hora do culto. Daí voltei pra casa, porque já não dava mais tempo. Além disso, para visitar meu filho, preciso pegar três ônibus. Daí, no domingo, se eu perco um, perco os outros dois. E aí perco também o horário de visita'', relata.
Para Selma de Jesus Jorge, 24 anos, moradora do distrito de Maravilha, o problema é diário. ''O ônibus é pequeno, vive lotado e passa só três vezes por dia. Esses dias ia pagar uma conta no centro e perdi o das 13h30 porque ele passou às 13h10, e o outro seria só depois das quatro. Então tive que deixar para ir outro dia, e paguei juros'', conta, acrescentando que era preciso ter ônibus maiores e com mais frequência. ''A gente paga, tem esse direito'', justifica.
''Buscamos sempre um equilíbrio entre demanda e número de veículos para não encarecer o serviço. Disponibilizar toda a frota o tempo todo seria uma despesa a mais e não justificada. E quem paga é o usuário'', alega Wilson de Jesus, diretor de transportes da CMTU, lembrando que a tarifa do transporte coletivo está há 24 meses sem reajuste devido em parte a esse ''equilíbrio''.
Wilson admite que nos períodos de férias escolares algumas linhas sofrem reduções, mas garante que isso se dá apenas em relação aos ônibus extras destinados aos alunos, e cujo ponto de partida eram as próprias instituições de ensino. ''Assim, a população nem sente essa redução'', afirma.
Outra forma de economia encontrada pela CMTU foi disponibilizar microônibus. ''Optamos pelo microônibus em linhas e horários de baixa demanda justamente para poder disponibilizar mais viagens, já que duas voltas deste custam mais barato do que uma do veículo convencional'', argumenta, lembrando que é o que acontece nos distritos rurais, onde optou-se pelo microônibus para poder disponibilizar mais horários. Com o uso desses veículos menores, o diretor de transportes garante que nos domingos e feriados a espera em todas as linhas urbanas é inferior a uma hora.
Em relação à queixa sobre o último domingo, Wilson explica que, naquele dia, a tabela utilizada foi a mesma dos sábados com comércio aberto, e que mais 10 veículos foram disponibilizados para atender a necessidades imediatas. O diretor informa ainda que nesta segunda-feira as linhas de maior demanda terão o número normal de carros, enquanto as outras seguirão a tabela de sábado com o comércio aberto. ''E serão disponibilizados 25 veículos extras, dentro do próprio terminal, para atender a demandas pontuais'', ressalta.

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