Redução na oferta puxa preços para cima
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sábado, 22 de outubro de 2005
Luciana Garbin e Roberta Pennafort<br>Agência Estado 
São Paulo - Armas frias alimentam um mercado paralelo que tem visto preços subirem e a quantidade de revólveres e pistolas em circulação cair. Números da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostram que 700 armas a menos do que o esperado foram apreendidas no primeiro trimestre de 2004, 1.553 no segundo e 1.996 no terceiro. A média mensal chegou a 425 armas a menos.
Como as operações policiais mantiveram o ritmo, autoridades concluíram que o que mudou foi a decisão dos paulistanos de sair ou não armados. Tal processo, para especialistas, ainda pode se acelerar. Levará em média dez anos para se sentir o impacto das armas saindo do mercado, mas, a curto prazo, um efeito instantâneo sobretudo se se proibir o comércio será o encarecimento, diz a pesquisadora do Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente (Ilanud) Alessandra Teixeira.
A explicação, segundo ela, está na lei da oferta e da procura. Hoje a arma é acessível a um preço muito baixo. Tendo oferta menor, os preços sobem e haverá menos pessoas portando armas, o que possibilitará um maior controle sobre os que usam, incluindo os agentes do Estado e as empresas privadas de segurança.
Segundo o Instituto Superior dos Estudos da Religião (Iser), há no Brasil 17.314.885 armas, das quais 44% são legais e estão nas mãos de militares, policiais, seguranças e civis com registro. O resto é ilegal. Do montante que forma o mercado paralelo, quase 4,8 milhões, diz Iser, são informais, ou seja, pertencem a quem comprou de conhecidos, não na loja, e não fez o registro. Os outros 4 milhões estão nas mãos de criminosos.
Preço dobrado - Alguns preços do mercado paralelo de armas e munição quase dobraram desde a aprovação do Estatuto do Desarmamento, em 2003. Um revólver calibre 38, que antes podia ser comprado por R$ 250,00 a R$ 300,00 na periferia paulistana, hoje sai por R$ 400,00 a R$ 500,00. A pistola 380 passou da faixa de R$ 600,00 a R$ 700,00 para R$ 800,00 a R$ 1 mil. Já a 45 foi de R$ 1 mil para R$ 1.200,00 a R$ 1.600,00. E a 9 milímetros, de R$ 800,00 para R$ 1.300,00. Alta semelhante se verificou no valor da munição. A bala do revólver 38, que custava R$ 1,50, custa hoje no mercado paralelo da periferia de São Paulo entre R$ 2,00 e R$ 3,00. A da pistola 380 subiu da faixa de R$ 3,50 a R$ 4,00 para até R$ 5,00. A da 45 passou de R$ 4,50 para R$ 6,00. E a da 9 milímetros, de R$ 5,00 para R$ 6,00.


