Curitiba A Associação de Defesa e Orientação ao Cidadão (Adoc) protocola hoje uma representação junto ao Ministério Público Estadual. A entidade denuncia os transtornos causados aos usuários do sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana de Curitiba por causa da redução média de 10% no número de ônibus desde o dia 23 de fevereiro. A Adoc quer que o MP mova uma ação civil pública, pedindo liminarmente a normalização do atendimento.
Para o diretor da Adoc, Fernando Kosteski, a população não pode continuar sendo penalizada por conta de divergências políticas entre o governo do Estado e a Prefeitura de Curitiba. ''Isso acaba gerando revolta na população'', disse Kosteski, lembrando do episódio ocorrido na semana passada, quando houve um protesto e moradores de Almirante Tamandaré acabaram depredando alguns ônibus. Ele lembra que, pelo Código de Defesa do Consumidor, os órgãos públicos são obrigados a garantir os serviços essenciais de forma adequada e contínua.
A Urbs órgão vinculado à prefeitura responsável pelo gerenciamento do transporte em Curitiba e municípios da Região Metropolitana decidiu reduzir a frota de ônibus porque o governo não autorizou o reajuste da tarifa nas linhas da Rede Integrada de Transporte (RIT). Em Curitiba, a passagem subiu para R$ 1,70, mas nas cidades vizinhas continua R$ 1,50.
O presidente da Urbs, Fric Kerin, defende que o governo deveria ter autorizado o aumento para não comprometer o equilíbrio financeiro do sistema de transporte e no decorrer do ano reavaliar o seu funcionamento. Ele estima que o déficit de receita, em março, seria de R$ 1,164 milhão, caso não houvesse a redução das viagens. Ou seja, a Urbs projeta para este mês um custo de R$ 42,281 milhões para transportar 25,525 milhões de passageiros pagantes. Mantendo as tabelas de horários inalteradas, o custo seria de R$ 43,444 milhões.
A Coordenadoria da Região Metropolitana (Comec), que não quer onerar ainda mais o bolso do trabalhador, só vai se manifestar sobre eventual reajuste nas linhas metropolitanas depois de concluir a análise das planilhas de custo do sistema integrado. O prazo termina no dia 30 de abril. A Folha tentou ouvir o diretor-presidente da Comec, Alcidino Bittencourt Pereira, mas não houve retorno das ligações.

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