O Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Ponta Grossa, que representa empresas e proprietários autônomos de aproximadamente 20 mil carretas e caminhões, entende que a decisão do governo, reduzindo as tarifas do pedágio, não passa de uma ‘‘medida eleitoreira’’. Para Ademar Barbosa, presidente do sindicato, ‘‘essa redução não resolve em nada o problema das transportadoras.
Segundo Ademar, a classe não está reivindicando a redução nas tarifas, mas que seja adotado o sistema unidirecional de cobrança do pedágio. Ademar explica que os transportadores não estão reclamando do preço cobrado. ‘‘O que nós queremos é pagar somente em um dos sentidos da rodovia’’.
Como o governador Jaime Lerner (PFL) não entrou em maiores detalhes sobre essa redução, Ademar acredita que esse benefício será temporário, não existindo nenhuma garantia que seja permanente. As transportadoras veêm na adoção do sistema unidirecional uma segurança maior, porque a redução das despesas com o pedágio seria definitiva.
Insatisfeitas com a medida tomada pelo governo, que não atendeu à principal reivindicação da classe, as transportadoras devem continuar com os protestos e as manifestações, como aconteceu há um mês na Serra de São Luiz do Purunã, quando a BR-376 ficou fechada por quase três horas. As empresas transportadoras reunem-se sexta-feira para definir novas estratégias de ação e reivindicação.
Uma das preocupações é que, por causa da redução na tarifa, as concessionárias deixem de fazer os serviços básicos de manutenção e conservação das rodovias.
Trechos fundamentais Já o secretário do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Setcepar), Sérgio Malucelli, disse ontem, em Curitiba, que se o governo não tivesse decidido pela redução do pedágio nas rodovias do Anel de Integração, ‘‘teria decidido pela falência das empresas’’. O índice médio de redução anunciado ontem, de 50%, foi considerado razoável por Malucelli, que, no entanto, fez uma ressalva: ‘‘É preciso ver quais os trechos que terão as maiores reduções tarifárias, pois se as estradas mais importantes não forem contempladas como devem, a medida terá pouco efeito’’.
Malucelli disse preferir acreditar que a redução do pedágio tenha sido resultado ‘‘de uma decisão técnica, pela justiça social, pela preservação do emprego, pelo desenvolvimento do Estado e pela redução do Custo Brasil’’. Para ele, se a decisão foi política, com vistas às eleições, e houver a possibilidade de retomada das tarifas atuais no ano que vem, ‘‘estaremos diante de uma bandalheira na qual, sinceramente, não posso acreditar’’.
Em Curitiba, a concessionária Ecovia, que administra o trecho da BR-277 entre Curitiba e o litoral, não quis pronunciar-se a respeito do anúncio do governador. Por meio de sua assessoria de comunicação, a empresa informou apenas não ter recebido comunicado oficial do governo, e que só depois disso anunciará a posição a ser tomada.
Questionamento Apesar de ter apoiado a queda do preço, a Associação dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam) quer saber de onde saiu o percentual a ser reduzido. ‘‘Teremos que abrir um questionamento, para saber o que justificou essa diminuição’’, afirmou o presidente da entidade Diumar Bueno.
Ele disse que os caminhoneiros temem que haja uma violenta redução nas obras que seriam implantadas nas estradas pelas concessionárias, e que agora deverão ser revistas. ‘‘Aí fica elas por elas. A gente vai pagar a metade do pedágio, mas não vai ter a rodovia de acordo’’, avaliou o sindicalista. Colaborou Carmem Murara

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