O anúncio sobre a redução de 50%, em média, da tarifa de pedágio agradou aos motoristas que utilizavam os desvios das praças de cobranças na região de Maringá. Alguns desconfiam que a redução seja apenas uma medida eleitoreira e querem mais benefícios, como a isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), por entender que há bitributação. Outros motoristas afirmam que a redução é justa mas que, mesmo assim, vão continuar usando os desvios.
‘‘A redução é uma boa porque o pedágio está caro demais’’, declarou ontem o motorista Percival Antonio de Oliveira, 42 anos. Desde o início da cobrança de pedágio na rodovia BR-376 na praça de Presidente Castelo Branco, Oliveira vem utilizando o desvio de quase três quilômetros de terra para não pagar a tarifa. Indagado pela Folha se pretende continuar usando o desvio, Oliveira afirmou que se o preço for ‘‘mesmo’’ reduzido pela metade, vai voltar a usar a BR.
Marcos NegriniCaminho normalPercival Antonio de Oliveira: ‘‘Vou voltar a utilizar a rodovia com pedágio’’Outro motorista que ficou satisfeito com a decisão do governador Jaime Lerner é o vendedor Aelcio da Silva Pereira, 26 anos. Ele costuma viajar fazendo a linha Maringá/Paranavaí e, desde o mês passado prefere ‘‘engolir’’ poeira no desvio da praça de pedágio de Presidente Castelo Branco, a pagar a tarifa. ‘‘Agora é diferente porque o preço vai diminuir bastante’’, disse. Para Pereira, o preço do pedágio é abusivo e por isso a maioria dos motoristas usa os desvios.
Apesar do otimismo com relação ao anúncio sobre a redução do pedágio, Pereira diz temer que a medida seja apenas eleitoreira. ‘‘Eu quero ver se depois das eleições o governador vai manter o preço reduzido’’. Ontem, Pereira ainda utilizava o desvio, mas garantiu que a partir de segunda-feira voltará às rodovias. ‘‘Acho que a maioria das pessoas concorda em pagar pedágio, mas não com preço abusivo’’, disse. Na praça de Presidente Castelo Branco, o pedágio custa R$ 2,90 por eixo.
Evandro José Ferraz, 25 anos, gostou da medida do governador, mas continuará usando os desvios, pelo menos quando o caminhão estiver vazio. ‘‘Com a redução vai ser melhor viajar pelas rodovias porque o pedágio não será tão caro. Mas vou continuar usando o desvio com o caminhão vazio porque não pago nada’’.
Marcos NegriniPreferênciaMotoristas continuam usando a estrada rural que desvia da praça de pedágio na BR-376, no município de Presidente Castelo BrancoO presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas, em Maringá, Reinaldo Gabriel Neto, não ‘‘engoliu’’ o anúncio do governador. Para ele, a medida é eleitoreira. ‘‘Quem me garante que depois de reeleito ele (Lerner) não vai subir o pedágio novamente?’’, indagou. Gabriel Neto diz que o governo perdeu credibilidade e que a redução de 50% não é suficiente para amenizar os prejuízos aos usuários das rodovias. ‘‘Vamos continuar lutando pelo preço de R$ 1,00 por eixo, e agora queremos a isenção do IPVA’’, disse.
A direção do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam-PR) comemorou o anúncio da redução do valor do pedágio. Segundo o presidente do Sindicam, Diumar Cunha Bueno, os caminhoneiros concordam com o pedágio em troca de estradas melhores, mas os valores eram elevados e inviabilizavam as atividades dos motoristas autônomos. A redução na tarifa foi considerada uma grande conquista da classe. O sindicam faz parte do Conselho de Usuários das Rodovias, que fiscaliza a aplicação dos recursos do pedágio nos serviços e obras do Anel de Integração.
O assessor de marketing da Viapar, concessionária responsável pelo lote 2 do Anel de Integração, Frederico De La Roque, afirmou que a preferência dos motoristas pelos desvios nas proximidades das praças de pedágio é normal. ‘‘Toda implantação de pedágio é problemática, mas com o tempo a resistência diminui, porque os próprios motoristas percebem as vantagens das rodovias duplicadas’’, afirmou.

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