Rede pública de Saúde terá equipamento de ponta
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segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Com a mesma amostra ou gota de sangue retirada do bebê nos primeiros dias de vida para o Teste do Pezinho, agora é possível diagnosticar outras 30 doenças congênitas. O espectômetro de massa, equipamento que detecta compostos de praticamente todas as moléculas no mundo, identifica com precisão e rapidez e até evita mortes prematuras por doenças neonatais de incidência preocupante. A previsão é que o exame seja realizado pela Fundação Ecumênica de Proteção ao Excepcional (Fepe), a partir de janeiro de 2008, para os casos encaminhados pelos médicos da rede pública de saúde do Paraná.
Ao contrário do Teste do Pezinho, obrigatório para todo recém-nascido brasileiro desde 2001, e oferecido pelo Sistema Único de Saúde, o exame feito pelo espectômetro de massa não será realizado em todos os bebês, apenas para aqueles cujo diagnóstico o médico faça solicitação. ''Numa análise clínica o médico pedirá o exame se houver suspeitas. Antes, esse exame só era feito em Porto Alegre, onde um laboratório enviava para ser realizado em Buenos Aires (Argentina). Agora podemos fazer aqui'', comemora José Alcides Marton, presidente da Fepe, instituição que adquiriu o equipamento no começo do ano.
Esse espectômetro de massa é o primeiro a pesquisar e identificar os erros inatos do metabolismo ou doenças congênitas no Brasil, pertencente a uma instituição filantrópica - existe um equipamento particular com a mesma finalidade, no Rio de Janeiro. ''Esse equipamento é a evolução natural do Teste do Pezinho. Vamos realizar pesquisas para mostrar ao Ministério da Saúde a viabilidade desse exame ser incluído na triagem neonatal do governo federal e nos estados'', disse Marton, informando que, pela falta de esclarecimento e do aconselhamento, mais de 60% das crianças atendidas em escolas especiais não têm o diagnóstico sobre o motivo que gerou o retardo mental.
O equipamento foi comprado com recursos do Governo do Estado, no valor de R$ 750 mil, de uma empresa da Finlândia. Em contrapartida, a instituição fará os exames solicitados pelos hospitais-escola, universidades e demais centros de pesquisa que integram a Rede Pública de Saúde do Paraná. Até o final do ano, a Fepe deve concluir os exames que determinam os valores de referência, cerca de cinco mil testes - com amostras aleatórias - para validar a pesquisa em recém-nascidos no Estado. Só a partir disso, iniciará o atendimento ao público.
Segundo Yuri Cleverthon Sica, químico responsável pelo aparelho da Fepe, o espectômetro de massa realiza um exame a cada dois minutos. ''Apesar da velocidade, um equipamento apenas não é suficiente para atender todos os recém-nascidos paranaenses. Precisaria de dois ou três'', raciocina ele, explicando que o novo exame aproveita a logística já existente para o Teste do Pezinho. ''Não precisa retirar outra amostra de sangue. Utilizamos apenas um pequeno disco ou confete do filtro onde se coletou o sangue do bebê, já seco, para extrair as substâncias para análise'', detalha ele.
''O espectômetro de massa não substitui o Teste do Pezinho. São metodologias diferentes e o novo equipamento só detecta uma das cinco doenças diagnosticadas pelo Teste do Pezinho'', reforça Sica. A Fepe recebe toda demanda de Teste de Pezinho do Paraná, que são 16 mil recém-nascidos, por mês. O exame previne sequelas de Fenilcetonúria, Hipotireoidismo Congênito, Fibrose Cística, Deficiência de Biotinidase e Anemia Falciforme e outras Hemoglobinopatias.


