Rede potencializa medo de doenças
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sexta-feira, 02 de abril de 2010
Caroline Vicentini<br>Reportagem Local 
Hipocondríacos assumidos estão encontrando na internet uma forma de alimentar seus ''conhecimentos'' sobre doenças. Só que o hábito pode causar problemas. No caso de uma funcionária pública londrinense, por exemplo, uma mancha se transformou em sintoma de leucemia; uma taquicardia sinalizou um problema no coração, após surfar na rede.
''Tive câncer na mama e há uns três anos comecei a manifestar sintomas de síndrome do pânico. Estou me tratando, mas a curiosidade e o medo de adoecer me impulsionam a buscar informações sobre o que sinto'', confessou Ângela Trigueiros.
Ferramenta indispensável nas mais diferentes áreas do conhecimento, a internet tem permitido a profissionais de saúde e pacientes acessar repetidamente informações médicas em volume sem precedentes. Só que nem tudo o que está na rede é confiável e, dependendo da informação, pode incitar temores infundados. Uma pesquisa feita pela Microsoft com 515 funcionários da empresa apontou que as buscas na internet tiveram o potencial de aumentar a preocupação dos usuários.
Os pesquisadores verificaram que buscas para sintomas comuns - como dores de cabeça e dores no peito - tinham a mesma ou maior probabilidade de levar o usuário a páginas descrevendo condições graves do que a páginas descrevendo condições benignas - embora doenças graves sejam muito mais raras. O estudo da Microsoft, feito há dois anos, teve como objetivo fazer melhorias em seu próprio site de buscas.
''Já aconteceu de levar informações distorcidas que obtive na internet para o médico, e ele precisou esclarecer que apenas um exame poderia confirmar a minha suspeita. Às vezes a informação médica na internet só confunde'', constata Ângela.
Acostumado a responder as dúvidas dos pais, o pediatra e diretor do Conselho Regional de Medicina (CRM), Álvaro Luiz de Oliveira, afirma que muitos, além de buscarem a informação em sites não confiáveis, têm a tendência a pesquisar doenças graves. ''Nos últimos tempos os pais têm trazido informações absurdas da internet sobre a Gripe A, prejudicando, inclusive, a vacinação das crianças'', exemplifica.
De acordo com o pediatra, a aquisição de informações distorcidas sobre saúde pelo paciente, via internet, abala o status e a autoridade do médico. ''É difícil convencer a família a não acreditar nestas bobagens propagadas pela rede. A medicina avança numa velocidade cada vez maior e a consulta com um médico continua sendo imprescindível'', defende Oliveira.
O neurocirurgião Pedro Garcia Lopes observa que após a primeira consulta o paciente já retorna totalmente internauta. ''O problema é que a maioria busca as informações em sites populares, com apresentações nem sempre fidedignas. No entanto, considero que o uso da internet mais ajuda do que atrapalha, pois o médico vê-se obrigado a se atualizar cada vez mais'', argumenta.


