Rede municipal volta às aulas com falta de vagas
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2005
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Dezenas de alunos da Zona Leste de Londrina não estarão nas salas de aula hoje, quando começa o ano letivo na rede municipal de ensino. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, não há vagas suficientes para todas as crianças e adolescentes que ali residem. Só na Escola Municipal Miguel Bespalhok, no Conjunto Antares, o número de estudantes cadastrados à espera de uma vaga chegava a 71, até a manhã de ontem. Para resolver o problema, a secretaria estuda até a possibilidade de retomar o turno intermediário.
Em toda a cidade, pelo menos 30,2 mil alunos da Pré-Escola ao Ensino Fundamental estão matriculados na rede municipal. Este número se refere ao último levantamento feito pela secretaria, em dezembro do ano passado. O balanço atualizado deve sair hoje. A secretária de Educação, Carmen Baccaro Sposti, acredita que o número final deve superar a marca dos 32.794 alunos que passaram pela rede em 2004. ''Houve um ligeiro aumento no último ano em relação a 2003 e, pelo que estamos percebendo, a tendência é que o número de alunos cresça mais este ano'', avaliou. Na Zona Rural, devido aos estragos causados pelas chuvas recentes, as aulas só recomeçam no próximo dia 14.
Embora ainda haja 5.105 vagas disponíveis, Carmen advertiu que existe uma demanda reprimida na Zona Leste da cidade. A secretária ainda não sabe quantos alunos não conseguiram se matricular, mas disse que várias escolas da região estão com lista de espera. ''Estamos recomendando às escolas que façam o cadastro destes alunos excedentes e verifiquem a origem deles para saber se não há algum colégio mais próximo de suas casas. Vamos buscar uma solução o mais rápido possível para que depois do carnaval todos possam estar nas salas de aula'', explicou.
De acordo com a secretária o problema teria sido causado pelo grande número de unidades habitacionais que estão sendo entregues e ocupadas quase simultaneamente na Zona Leste. Diante da demanda, Carmen admite que será necessário construir pelo menos mais uma escola na região. Mas até que isso aconteça, a secretária cogita duas soluções emergenciais: oferecer transporte para outras escolas ou implantar um turno intermediário. ''Qualquer destas medidas teria caráter apenas temporário. É melhor do que deixar a criança sem atendimento.''
A diretora da escola Miguel Bespalhok, Raquel Andrade de Carvalho, comentou que as 526 vagas estão todas preenchidas. ''A situação é a mesma em outras escolas da região. Tem muita gente procurando vaga antes mesmo de se mudar para os novos condomínios'', ressaltou, lembrando que só no recém-construído Residencial dos Pioneiros, da Cohab, estão sendo entregues 300 novos apartamentos.
Sobre a possibilidade de se criar um turno intermediário na escola, Raquel garantiu ser inviável. ''Não temos estrutura para isso. Estamos cadastrando os alunos excedentes para enviar os dados à secretaria, mas não estamos dando nenhuma esperança aos pais de que consigam uma vaga aqui'', sentenciou.


