Rede de transmissão vai beneficiar a saúde pública
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sexta-feira, 13 de março de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
A partir da próxima terça-feira, o Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) fará parte de uma rede de transmissão de conhecimento que já inclui outras 14 instituições de saúde brasileiras. A inauguração de um núcleo da Rede Universitária de Telemedicina
(Rute) em Curitiba permitirá a troca de experiências colaborando para a melhor qualificação dos profissionais e diagnóstico de doenças.
A Rute é uma iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia, coordenada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), organização responsável pela operação da internet acadêmica brasileira. Em uma primeira etapa, a implantação do núcleo no HC permitirá que alunos e profissionais da instituição tenham acesso a programas educacionais, conferências e palestras geradas por aqui ou pelos outros membros da rede, no Brasil ou até no exterior.
Segundo o vice-reitor da UFPR, o médico Rogério Mulinari, os benefícios provenientes da primeira fase serão de qualificação dos profissionais, que terão acesso a novos procedimentos e técnicas. "O paciente perceberá esse ganho indiretamente. O conhecimento produzido aqui ou nos outros locais integrados à rede será compartilhado em tempo real. Através da teleconferência, o profissional participará ativamente dessa troca de experiência", explica.
Como exemplo, Mulinari conta que, na terça-feira, dia de inauguração do núcleo, será transmitida uma conferência com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre procedimentos de controle de epidemias. "Nesse caso, a aplicação do conhecimento é imediata e o ganho do paciente é direto", avalia.
Além de integrar a Rute, a UFPR participa da Rede Metropolitana de Curitiba, parte da iniciativa Redes Comunitárias de Educação e Pesquisa (Redecomep), também coordenada pela RNP.
Na Redecomep, a instituição estará interligada com os principais centros de ensino e pesquisa da Capital. Atualmente em fase de testes, a Rede Metropolitana de Curitiba também estará conectada às demais instituições que fazem parte de uma rede acadêmica nacional, a rede Ipê.
A programação das transmissões é comunicada previamente para os integrantes da Rute. Todo o conteúdo, que também poderá ser armazenado para consultas futuras, será de livre acesso para a comunidade acadêmica da UFPR.
Segundo Mulinari, em uma segunda etapa de implantação do núcleo, a rede irá abranger unidades de saúde de todo o Paraná. "Para gerar o conteúdo, é preciso uma grande estrutura de equipamentos. Mas, para receber, bastará ter acesso à internet".
Conforme explica o médico, será possível colaborar com essas unidades de saúde com uma espécie de segunda consulta ou opinião especializada remota. "O paciente chega na unidade e mostra para o médico generalista uma lesão de pele da qual ele não tem conhecimento. Em tempo real, ele compartilha as imagens da lesão e recebe a opinião de um especialista aqui do HC. O benefício é imediato", conta Mulinari.
Esse profissionais poderão usufruir dos benefícios do projeto através do compartilhamento de arquivos de prontuários, exames, radiografias e consultas, viabilizados pela Rute.
Para a primeira etapa, foi feito um investimento pela UFPR de cerca de R$ 250 mil. Segundo Mulinari, a universidade ainda não tem previsão de gastos e do prazo para a segunda etapa.


