O deficiente sistema de informações das polícias Civil e Militar ganhou um reforço através do Mapa do Crime, um banco de dados pormenorizado de ocorrências criminosas localizadas com precisão geográfica. O projeto, desenvolvido pelo governo do Estado e em fase de implantação nos cinco maiores municípios do Estado, seria apresentado ontem à noite, em Londrina, pelo assessor especial da secretaria de Estado de Segurança Pública, Marcelo Jugend, durante encontro do Conselho Comunitário de Segurança com a participação de autoridades do setor.
Com o mapeamento, a polícia poderá saber a incidência de crimes por tipo, horário e endereço. Todas as informações são jogadas sobre um mapa da cidade, que aponta as ocorrências precisamente, por rua e número, com variadas opções de consultas. A idéia é traçar um panorama preciso da criminalidade e, desse modo, nortear as ações da polícia e as políticas de segurança pública.
''O projeto tem por objetivo maior começar uma cultura de informação. Existe uma cultura na sociedade, inclusive no setor operacional, que se faz segurança enchendo a rua de policiais, isso não funciona'', disse Marcelo Jugend.
Ele explica que o mapeamento será acompanhado por uma equipe multidisciplinar da secretaria de Segurança Pública e poderá ser acessado pelas chefias das polícias locais. ''A base de dados terá geógrafos, analistas criminais, especialistas em estatística e sociólogos'', adiantou.
O programa está sendo implantado, inicialmente, em Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu. Segundo Jugend, as ocorrências desses municípios já alimentam o banco de dados cujas informações, no entanto, ainda não estão disponíveis. Durante a apresentação de ontem, ele mostrou a aplicação do programa com dados coletados em julho.
Para o cidadão comum, o projeto promete a desburocratização do serviço. ''O Mapa do Crime vai possibilitar que o cidadão faça apenas um boletim de ocorrência em qualquer delegacia ou mesmo com a PM'', explicou, referindo-se ao sistema atual que obriga a vítima a procurar a delegacia responsável pela área onde o crime ocorreu e, em certos casos, registrar a ocorrência tanto com a PM como na delegacia.
Para o sistema começar a funcionar efetivamente faltam alguns ajustes. Um deles, em fase de elaboração, é a padronização dos boletins de ocorrência que terá que ser idêntico em ambas as forças policiais. ''Também precisamos unificar a área de atuação das polícias para facilitar o planejamento'', apontou. Em Londrina, por exemplo, enquanto a área de atuação do 5º Batalhão de Polícia Militar abrange quatro municípios, a 10 Subdivisão Policial tem 21 municípios. O decreto de unificação das áreas deve ser enviado ao governador na semana que vem.
Programas semelhantes já foram implantados em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo e Pernambuco.

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