Rede de educação científica tem destaque em seminário
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quarta-feira, 18 de dezembro de 1996
Carina Paccola 
O trabalho de capacitação de professores de 1º e 2º graus das áreas científicas desenvolvido pela Rede de Disseminação em Educação Científica do Norte do Paraná (Renop) foi apresentado na semana passada em São Paulo, durante seminário de avaliação do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico/Subprograma Educação para a Ciência (PADCT/SPEC). A atividade da Renop foi uma das sete selecionadas entre os 136 projetos no País patrocinados pelo PADCT/SPEC. O programa é organizado pelo Governo Federal.
A Renop fez por merecer. Desde sua criação, em 1991, a rede promoveu 89 cursos de capacitação para 2.903 professores e atendeu 10 mil alunos de 1º grau, com seus kits experimentais. E fez mais. Produziu material didático para ensino das ciências naturais; patrocionou publicações científicas; atingiu 1.234 professores com oficinas, treinamentos e consultoria.
Centralizada na Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Renop tem sete pólos regionais - Cornélio Procópio, Jacarezinho, Wenceslau Braz, Maringá, Apucarana, Ivaiporã e Pitanga. Na UEL, dedicam-se à rede 40 professores de vários departamentos. Nos sete núcleos, que divulgam o trabalho, também dedicam-se professores de 1º e 2º graus.
Em todas as suas atividades, a meta é melhorar o ensino de ciências nas escolas de 1º e 2º graus, resgatando a parte experimental. O experimento é fundamental para o ensino das Ciências Naturais e da Matemática, que têm no laboratório parte de seu conteúdo. É no laboratório que se faz a conexão entre a teoria e a prática; entre a ciência e o dia-a-dia do aluno, explica Sérgio de Mello Arruda, coordenador da Renop e professor do Departamento de Física da UEL.
Para ajudar nesse trabalho, a Renop criou a Experimentoteca, com kits para aulas em laboratório. São cinco conjuntos: ar, água e solo; corpo humano; seres vivos; física e química. Os kits foram desenvolvidos pela Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos, que os repassou para a Renop via convênio com o Centro de Divulgação Científico e Cultural (CDCC).
Para usar o material em sala de aula, os professores interessados devem participar de cursos de capacitação dados pela Renop. Os cursos trabalham a parte de conteúdo e de metodologia para a sala de aula, diz Arruda. Segundo ele, a maioria dos professores de ciências é mais dedicada à área biológica. Muitos têm dificuldade em física e química. E os cursos da Renop são voltados para o aspecto prático, explica o professor.
Com o uso dos kits de laboratório, o aluno manipula o material na sala de aula e fica mais interessado no assunto. O material dá resposta a uma angústia do professor, que é dar aula de ciência sem laboratório. Arruda afirma ainda que, na avaliação feita pelos professores, o resultado tem sido bastante satisfatório. A aula prática realmente desperta maior interesse. Mas, na sua opinião, ainda falta um projeto para avaliação científica do impacto do projeto no aluno. A avaliação teria que ser um trabalho de mestrado ou de doutorado.
Arruda diz que sem a participação dos Núcleos Regionais de Educação (NREs), nas cidades que fazem parte da Renop, seria muito difícil o desenvolvimento do trabalho. Para 1997, a Secretaria Estadual de Educação pensa em implantar a Renop em todos os 30 NREs do Paraná. O custo total seria de R$ 1,6 milhão, incluindo os kits e microcomputadores, que fariam parte do orçamento. Para estender a Renop, temos que contar com a participação das universidades presentes em cada região.
Arruda informa que a USP/São Carlos vai repassar o know-how de fabricação dos kits, para que sejam feitos pela própria Renop. Ele afirma já ter conversado com a Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel) para viabilizar a produção dos equipamentos.


