Rede de assistência ainda é deficiente
Profissionais da área de infância e juventude afirmam que o uso de crianças a serviço do crime é reflexo da miséria, da falta de atenção familiar e da deficiência da rede de proteção a esse público. A partir da primeira infração, apontam, o risco de que elas cresçam como adolescentes infratores e se tornem adultos criminosos é grande.
''Nossa maior angústia é não ter uma rede de assistência adequada para encaminhar as crianças. As entidades têm buscado fazer um trabalho interessante, mas são vagas limitadas'', lamenta a conselheira tutelar do Centro, Melissa Fernando Benicio Faria. Ela diz que os conselhos fazem uma avaliação dos casos mais graves que chegam até eles e tentam dar prioridade nos acompanhamentos.
Quase sempre se constata que a criança praticante de ato infracional não tem respeitados os direitos básicos previstos na Constituição Brasileira. Por isso, é comum que sejam encaminhadas pelos conselheiros a escolas, unidades básicas de saúde, projetos de contraturno escolar ou aos Centros Regionais de Assistência Social (CRAS). ''Procuramos acompanhar também a família, porque sozinhos os pais não dão conta, nem financeira, nem psicologicamente'', observa.
Para Melissa, uma rede ideal de atendimento deveria contemplar uma jornada ampliada de educação, que garantisse cultura e esporte para as crianças de baixa renda, e devolvesse os ''sentimentos'' a elas. ''Você percebe que essas crianças (infratoras) ficam muito frias, sem sonhos, sem objetivo de vida. É uma infância interrompida'', lamenta.
A promotora Édina Maria de Paula observa que ''se a rede de proteção estivesse funcionando, não haveria criança praticando crime''. Além de políticas públicas voltadas à infância, ela defende um programa de planejamento familiar ''para que as pessoas não ponham filhos no mundo indiscriminadamente''.(V.N.)





