Rede de alfabetização usa software
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terça-feira, 13 de março de 2001
Luciana PomboDe Curitiba 
Diminuir a taxa de analfabetismo no Paraná. Esta é a proposta da Rede Universitária de Alfabetização Digital, lançada ontem em Curitiba. Composta por instituições de ensino superior privadas e públicas, a rede trabalhará com um programa de alfabetização em software desenvolvido pela Companhia Paranaense de Energia (Copel). O programa é composto por cinco módulos: os primeiros quatro representam cada ano do ensino fundamental e o outro é de especialização na área urbana ou rural. Cada módulo tem 40 horas aula. Em 200 horas, os alunos recebem a certificação que receberiam em 3,2 mil horas do ensino normal. É um projeto pioneiro no Brasil e que está dando certo, disse Lindolfo Zimmer, diretor de marketing da Copel.
O projeto piloto de alfabetização digital foi lançado em outubro do ano passado, com alunos da própria Copel. Atualmente, a empresa tem 400 alunos. Metade já está no módulo de especialização. A zeladora Aparecida Botelho, 47 anos, foi uma das primeiras funcionárias da Copel a entrar no programa. Ela disse que sabia apenas escrever seu próprio nome. Hoje, sabe ler e escrever. Eu pensei que iria morrer sem aprender nada. Esta é uma oportunidade que não podia deixar escapar, afirmou.
O auxiliar de serviços gerais, Antonio Luiz dos Santos, 44 anos, disse que nunca se interessou em voltar a estudar. Agora, quer terminar todos os módulos. Queria que este programa tivesse sido criado há dez anos. Hoje eu seria um digitador e trabalharia com computação, salientou.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 600 mil paranaenses com mais de 15 anos não sabem ler e escrever. Em todo o Brasil, são 11% de analfabetos com mais de 15 anos e 30% de analfabetos funcionais (com menos de quatro anos de escolarização). Temos que cooperar para acabar com isto e faremos a nossa parte, afirmou o secretário Ramiro Wahrhaftig, da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. A secretaria entra na parceria com a Copel com o intuito de conseguir instituições de ensino que se disponham a cooperar com a erradicação do analfabetismo no Paraná.
Uma das universidades que já se comprometeram a cooperar é a Unioeste (Cascavel). De acordo com a reitora Liana Fátima, a instituição promoverá imediatamente aulas para funcionários dos câmpus de Foz do Iguaçu e Francisco Beltrão. Posteriormente, serão levados para os câmpus de Cascavel, Marechal Cândido Rondom e Toledo.
Custos Os custos do programa são pequenos, de acordo com a Copel. Enquanto o curso supletivo custa para o governo do Estado R$ 1,5 mil por aluno, os custos do programa giram em torno de R$ 170,00. É um custo barato e que pode chegar a zero se os computadores, os locais para o ensino e a mão-de-obra forem doados, explicou Zimmer. O projeto será aplicado inicialmente no Paraná. Mas poderá ser levado para Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo.


