Recusa às aulas pode ser fobia escolar
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sábado, 30 de julho de 2005
Fernanda Bassette e Alexandre Nobeschi<br>Folhapress 
São Paulo O fim das férias traz aos pais uma preocupação importante: muitas crianças se recusam a retornar à escola e, muitas vezes, não sabem explicar o motivo. A recusa, normalmente, é passageira pelo simples fato de ocorrer porque as férias e as mordomias chegaram ao fim. Mas, quando essa resistência passa a ser constante e foge do controle, a criança pode estar com sintomas de fobia escolar.
A fobia, uma espécie de medo doentio, é um conceito antigo. Segundo o psicólogo Ricardo Marcom, que também é professor do colégio Piaget, de São Paulo, a fobia escolar é, geralmente, um transtorno de ansiedade. ''Ela se torna um problema quando começa a atrapalhar nos relacionamentos interpessoais dos estudantes'', diz ele.
Raymundo Lima, psicanalista e professor do Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Estadual de Maringá (UEM), diz que os primeiros casos de crianças com fobia escolar foram relatados na década de 80. ''Essas crianças não tinham nenhum motivo para ter medo de ir à escola. Elas sentiam uma angústia incontrolável e, por algum motivo desconhecido, incorporaram o medo'', diz Lima.
É preciso ressaltar, entretanto, que a fobia não pode ser confundida com preguiça ou com o medo natural que uma criança tem diante de uma situação nova. ''Toda criança que muda de colégio, por exemplo, sente uma angústia porque está indo para o desconhecido. Mas essa reação deve ser passageira. Se ela for frequente, alguma coisa pode estar errada'', afirma Maria Irene Maluf, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia.
Os sintomas da fobia são claros: tremedeira, ansiedade, choro excessivo, vômitos, diarréia, calafrios e medo de ficar sozinha e de ficar longe dos pais.
Uma das hipóteses apontadas como causa do medo da criança de ir à escola é a superproteção dos pais. ''A superproteção é tão grande que os pais acabam transmitindo para os filhos seus medos acumulados. Com isso, a criança fica duplamente assustada'', aponta Maria Irene.
O psicólogo Marcom também atribui aos pais a responsabilidade pelo surgimento da fobia. ''Se os pais não preparam a criança para interagir com outras pessoas, ela poderá ter alguma dificuldade quando for apresentada para o mundo.''
Para a psicóloga Rosane Shiller, do colégio Santo Américo, de São Paulo, ''a maior dificuldade dos pais e da escola é conseguir identificar a causa que leva a criança a se negar a frequentar as aulas.''
Para os especialistas, o tratamento da criança com fobia escolar deve ser abrangente: é necessária a participação efetiva da escola, dos pais e do psicólogo. ''Essa interação e esse envolvimento é que vão fazer com que a criança supere a fobia'', diz Marcom.
O psicanalista Lima ressalta que os amigos devem ser considerados elementos importantes no acompanhamento da criança. ''Amizades são a base do aluno e formam a aliança da confiança.''


